Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 12/08/2020

A famosa frase “Ao persistirem os sintomas, um médico deverá ser consultado”, presente em propagandas de medicamentos, é uma orientação divulgada pelo Ministério da Saúde. Porém, tal recomendação pode ser vista como perigosa ao considerar o aumento da automedicação na sociedade, e consequentemente, os casos de intoxicação causados por ela. Nesse contexto, deve-se analisar como a ineficiência do Sistema de Saúde e o surgimento da internet influenciam na problemática em questão.   Em primeiro plano, vale destacar que, com a demora do atendimento nas unidades básicas de saúde e as longas filas de espera, o ato de se automedicar é tido como solução para alívio de determinados sintomas. A esse respeito, o sociólogo Zygmunt Bauman afirma que algumas instituições sociais perderam a sua essência em função social, mantendo apenas sua “forma”, tornando-se assim, em “instituições zumbis”. Nota-se, portanto, como o SUS é incapaz de exercer sua função social, competindo a própria população resolver suas enfermidades.

Por outro lado, é inegável que a internet facilite e influencie a prática de consumir remédios por contra própria. Com o acesso ás redes, tornou-se muito mais fácil se auto diagnosticar por meio do Google, por exemplo. Tendo em vista que a legislação permite a venda de diversos remédios sem prescrição médica, é simples para a população adquirir um medicamento e usá-lo de maneira inadequada, podendo sofrer graves efeitos colaterais. Por consequência, essa ação contribui diretamente para o aumento dos problemas relacionados ao bem-estar da população.

É necessário, portanto, que medidas sejam tomadas para que se solucione a questão da automedicação. Nesse sentido, o Ministério da saúde, por meio das mídias televisivas e sociais, deve veicular conteúdos educativos a respeito da prática de se automedicar, transparecendo suas consequências e os perigos em torno dessa ação. Dessa forma, o problema poderá ser contornado e criar um novo ideal em que “Na existência de qualquer sintoma, um médico deverá ser consultado”.