Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 13/08/2020

O poeta chileno Pablo Neruda dizia que as pessoas são livres para fazer suas escolhas, porém são prisioneiros de suas consequências. Nos tempos hodiernos, a automedicação vem sendo motivo de grande preocupação e debate por parte da sociedade, muito por culpa dos graves danos que podem acontecer a partir desse ato. Indubitavelmente, a influência midiática e a negligência comercial corroboram para que tal situação ocorra.

Em primeiro plano, vale destacar que, devido à globalização, existe hoje um grande cruzamento de dados, verdadeiros ou não, o que facilita para a desinformação e a falta de senso crítico do corpo social. Nesse sentido, a célebre frase “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”, do político alemão Joseph Goebbels pode ser perfeitamente encaixada a esse contexto, onde a partir do poder de influenciar massas que a mídia possui, uma informação sem checagem pode facilmente ser tratada como verdade. Em virtude disso, muitas pessoas são afetadas por acreditar que um remédio pode ter apenas resultados positivos, sem a preocupação com os efeitos colaterais.

Não obstante aos fatos supracitados, a negligência comercial que sucede hoje no Brasil também funciona como agente facilitador da automedicação no século XXI. Conforme o levantamento feito pelo Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade, 48% dos balconistas de farmácia prescrevem medicamentos para a população. Logo, nota-se o quão indiligente é a fiscalização no ramo farmacêutico, pois desdenhar esse policiamento pode causar infindos problemas para a população, desde reações alérgicas até a morte, dependendo da gravidade do erro. Diante disso, cuidados devem ser tomados com efeito imediato para evitar maiores complicações.

Em suma, torna-se factual que a situação hodierna no tocante à automedicação no século XXI deve ser de grande preocupação, por isso são necessárias ações de efeito imediato de alguns órgãos. Portanto, compete ao Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde, controlar a fiscalização com maior prudência dos centros farmacêuticos, para que assim se tenha maior cuidado perante o tema. Outrossim, cabe à mídia, através de sua capacidade de atingir um grande contingente de pessoas, informar os riscos que podem ser causados através de um medicamento tomado de maneira errônea, para que assim aconteça uma maior conscientização na sociedade.