Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 13/08/2020

No século XIX, Stuart Mill, filósofo britânico, expôs sua máxima que dizia “sobre seu próprio corpo e mente, o indivíduo é soberano”. Esse pensamento, ainda no hodierno, é tido como verdade e observa-se sua expressiva prática na esfera medicinal, a qual os indivíduos sentem-se capazes de automedicar, mesmo sem qualificação ou assistência formal, gerando diversos prejuízos a saúde. Desse modo, tais atos imprudentes geram debates acerca da automedicação no século XXI, a qual pode-se citar os transtornos psicológicos e a ausência informacional como os principais propulsores de tal quadro.

Em primeiro plano, na série “Euphoria”, de 2019, é retratada a jornada da protagonista Rue, uma adolescente que, por sofrer de distúrbios psíquicos desde a infância, vê os entorpecentes como forma de escapar de sua realidade. Em paralelo à vivência da personagem, boa parte da massa populacional que detêm transtornos psicológicos busca manter-se distante dos problemas experienciados a partir do uso de substâncias modificadoras da natureza corporal. Nesse sentido, tal procura, em consonância com a fácil aquisição de medicamentos, potencializa a automedicação para esse grupo social já abalado, o que resulta no intenso uso de tais produtos. Consequentemente, tal acentuação causa dependência química, gerando diversos problemas de saúde e agrave na condição psicológica dos indivíduos.

De acordo com os dados do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sintox), os medicamentos são responsáveis por 28% de todas as notificações de intoxicação. Nessa perspectiva, tal taxa de ocorrências é consequência da ausência informacional, visto a irresponsabilidade apresentada, por parte da população, com o manuseio e regulação dos componentes para a automedicação, ao ponto de gerar intoxicações. Logo, tal desinformação afeta diretamente o funcionamento adequado de tais drogas e o desempenho delas no tratamento da doença em questão. Assim, essa desregulação leva à piora do quadro doentio do enfermo, resultando no consumo de substâncias ainda mais invasivas ao bem estar corporal.

Com base na discussão elencada acerca da automedicação, o Ministério da Saúde deve fortalecer e promover tratamentos de natureza psicológica aos indivíduos necessitados, por meio de programas intensivos e investimentos públicos na área, a fim de enfrentar tais problemas subjetivos e diminuir a busca de remédios com propósitos de deterioração própria. Além disso, o Poder Midiático necessita criar campanhas de conscientização sobre os problemas gerados ao se automedicar, por intermédio de propagandas e anúncios, para que reduza-se a problemática da ausência informacional. Dessarte, observar-se-ia uma sociedade mais saudável e consciente.