Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 13/08/2020
Em 1930, o poeta brasileiro Manuel Bandeira escreveu um poema denominado “Pneumotórax”, que mostrava de maneira trágica e burlesca a morte que se aproximava de um sujeito com tuberculose. Atualmente, a automedicação no século XXI tornou-se um empecilho para a saúde no Brasil. Nesse sentido, é perceptível a configuração de um grave problema de contornos específicos que emerge ora em função da legislação fragilizada pela ineficiência da fiscalização, ora pela inópia no tocante a informações.
Primordialmente, faz-se profícuo apontar a insuficiência das leis pela falta de fiscalização como um elemento que fomente o revés. Outrossim, segundo pesquisas do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ), 48% dos balconistas de farmácia prescrevem medicamentos para os cidadãos. A partir dessa conjuntura, torna-se ínclito que muitas farmácias compactuam com o tema em questão e não se preocupam com os inumeráveis riscos que tal ação pode ocasionar, visto que, não ocorrem vistorias eficazes, o que, por fim, corrobora para a problemática. Logo, é inadmissível a falta de inspeção e leis para evitar que indivíduos façam uso de remédios prescritos por profissionais não qualificados para assegurar a eficácia do tratamento de forma segura.
Mormente, é válido ressaltar a carência informacional como fator determinante para o problema. Ademais, conforme pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Hibou em 2014, identificou-se que o brasileiro da região Sudeste é o que mais se automedica indiscriminadamente, de forma nefasta e sem medo das consequências. Diante disso, percebe-se, pois, o quão tênue é o conhecimento de parte substancial da população acerca dos riscos de escolher e tomar medicações sem orientação médica - uma vez que tal atitude pode desencadear o aumento da resistência bacteriana -, bem como o descaso dos órgãos governamentais responsáveis por assegurar e partilhar explicações sobre o entrave citado anteriormente. Em suma, esse cenário, lamentavelmente, reforça a impreterível urgência de uma intervenção que o resolva.
Depreende-se, portanto, a necessidade de que medidas cabíveis sejam tomadas. Dessa forma, é imprescindível que o Poder Público invista em fiscalizações minuciosas em relação a prescrição de remédios sem aconselhamento médico, a fim de punir os farmacêuticos que praticam esse desmazelo. Além disso, cabe ao Ministério da Saúde - órgão do Poder Executivo Federal - conscientizar a sociedade sobre os prejuízos da automedicação, por meio de campanhas na mídia e distribuição de cartilhas instrutivas nos postos de saúde, com o fito de reverter o preocupante cenário reiterado. Destarte, importantes avanços serão obtidos no Brasil.