Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 12/08/2020
De acordo com o médico e físico suíço Paracelso, “a diferença entre um remédio e um veneno está só na dosagem”. Essa frase descreve diretamente a tênue linha que separa as duas faces que um remédio pode apresentar. Entretanto, mesmo com esse conhecimento, hodiernamente muitos brasileiros realizam a automedicação no seu dia-a-dia, o que pode gerar efeito contrário e fortalecer a resistência dos agentes causadores de doenças, como vírus e bactérias. Isso se deve precipuamente à falta da conscientização contra a automedicação e à ineficiência da fiscalização da venda dos produtos em estabelecimentos farmacêuticos.
A priori, deve-se abordar a eficácia da conscientização que é feita contra o ato de automedicar-se. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as intoxicações por automedicação representam um décimo das internações hospitalares. Tal dado mostra que, durante a vida cotidiana, muitas pessoas acabam por consumir medicamentos por conta própria, o que muitas vezes é incentivado por informações adquiridas por fontes não confiáveis, que não são devidamente combatidas e evitadas, dificultando a conscientização da população. Assim, é necessário que se ofereça maior compreensão sobre as consequências da automedicação e por que razão se deve evitá-la.
Além do aspecto da conscientização, há de se discutir a fiscalização sobre as vendas nas drogarias. Um levantamento feito pelo Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ) revelou que cerca de 40% do lucro das principais corporações farmacêuticas brasileiras são provenientes de medicamentos vendidos sem prescrição médica. Essa informação mostra que, mesmo que já existam leis voltadas ao impedimento da venda de remédios sem a indicação de um médico, ainda são notados muitos casos em que isso acontece, o que pode causar problemas à saúde do paciente e à reputação do estabelecimento. Logo, percebe-se que o processo de fiscalização em farmácias precisa ser expandido.
Torna-se evidente, portanto, que é essencial a a melhora tanto da conscientização realizada quanto do controle de vendas. Desse modo, cabe à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) – responsável pela promoção da saúde dos cidadãos – realizar campanhas sobre a compreensão em relação à automedicação e dos problemas que esta traz, utilizando-se dos meios de comunicação de massa, a fim de prevenir que continue acontecendo frequentemente. Além disso, compete ao Ministério da Saúde realizar um supervisionamento mais efetivo da distribuição dos produtos nas drogarias, por meio da criação de centros locais de fiscalização, para impedir que as pessoas tenham acesso a medicamentos não indicados. Assim, será possível contornar essa problemática e tornar a sociedade mais consciente.