Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 12/08/2020

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a automedicação está relacionada ao uso de medicamentos por conta própria, sem a devida prescrição feita por um profissional de saúde. Nesse contexto, a automedicação é um risco à vida, visto que pode causar problemas de saúde, como intoxicação, reações alérgicas e até a morte. Desse modo, faz-se imperioso apontar os principais perigos da autoprescrição, com destaque não somente à facilidade de adquirir medicamentos, mas também ao precário sistema de saúde.

Em princípio, cabe analisar que o comércio farmacêutico é um facilitador quando se trata da automedicação. Segundo o jornal Estado de Minas, as denúncias de farmácias vendendo antibióticos sem receita são crescentes. Isso porque não é incomum encontrar nesses locais pessoas narrando seus sintomas para o farmacêutico, que recomenda o medicamento adequado para o suposto quadro clínico, mesmo não sendo um profissional apto para esse tipo de prescrição. Dessa forma, verifica-se o mercado ilegal da venda de medicamentos sem receituário como um dos principais problemas a respeito dos perigos da autoprescrição.

Ademais, é importante ressaltar a deficiência da saúde pública brasileira na influência do ato de automedicação, em virtude do fato de não conseguir atender toda a demanda populacional. De acordo com dados da Organizacão Mundial de Saúde (OMS), 10% das internações estão relacionadas à intoxicação causadas pelo uso de medicamentos de forma incorreta. Somado a isso, o consumo de medicamentos é altamente incentivado pela mídia no comercial de fármacos, principalmente pelo uso da frase: “Se persistirem os sintomas, o médico deverá ser consultado”. À vista disso, os indivíduos sem saída após não obter atendimento médico nos serviços de saúde, recorrem ao uso de remédios sem receituário, tomando como base para seus sintomas indicações de comerciais ou da internet.

Faz-se necessário, portanto, elaborar formas de denunciar os perigos da automedicação. Para tanto, o Ministério da Saúde, responsável por promover o bem-estar populacional, deve aprimorar o Sistema Único de Saúde (SUS), por meio da contratação de mais profissionais da saúde, a fim de atender todas as solicitações dos pacientes com o objetivo de reduzir a automedicação, com a orientação adequada do uso de determinados fármacos. Além disso, a Anvisa deve potencializar a fiscalização em comércios farmacêuticos, para que seja dificultada a venda de medicamentos sem receituário médico.