Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 13/08/2020

Na obra “História Geral da Medicina Brasileira”, Santos Filho descreve práticas médicas indígenas no Brasil do século XVI. Certamente, na época, a população compreendia as doenças e enfermidades como um castigo religioso e, por conta disso, utilizavam métodos indutivos e xamânicos para se automedicarem. Apesar de que tais práticas ocorreram, no século passado, não se vê, entretanto, na sociedade atual, tal reversão desse quadro, visto que ainda é notável a realização de automedicação. Esse cenário, resulta tanto da influência virtual, quanto da legislação fragilizada pela falta de fiscalizações.

Sob esse viés, pode-se observar com o empecilho à problemática a influência midiática, a qual vende seus medicamentos com negligência ao ocultar os riscos aos quais a população está acometendo-se. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as intoxicações pela automedicação representam dez por cento das internações hospitalares. É evidente que isso ocorre na realidade atual devido à ausência informacional na área virtual, propiciando os cidadãos a consumirem os produtos apresentados sem noção de seus efeitos colaterais. Como resultado, os consumidores estão sujeitos a desenvolver alguma doença grave, bem como retardar seu diagnóstico.

Outrossim, cabe analisar a legislação fragilizada em relação a inoperância de fiscalizações, que carece em restrições na comercialização de medicamentos. Consoante o filósofo Jean Jacques Rosseau é explicitado, em seu pensamento contratualista a responsabilidade do Poder público centralizador em garantir o bem-comum. Essa visão, embora correta, não é efetivada no hodierno global, posto que o Governo é displicente com a saúde populacional devido, ao seu descuido com o acesso a vendas sem prescrições médicas e medicamentos adquiridos com receituários antigos. De tal forma, isso acarreta em diversos danos, tanto na saúde mental, provocando dependência química, quanto no bem-estar físico.

Em virtude do que foi mencionado, torna-se indubitável, portanto, a necessidade de repensar na problemática à automedicação. Assim, cabe ao Ministério de Ciência e Tecnologia combater a influência virtual, por meio da própria mídia, através de transmissões ao vivo com especialistas e programas de TV, a fim de explicitar todos os malefícios acarretados com a automedicação. Do mesmo modo, compete ao Governo Federal promover melhora na legislação fragilizada em relação a saúde populacional, mediante a maiores fiscalizações na comercialização de drogas, objetivando manter seguro o bem-estar da população. Dessa forma, será possível transformar o mundo em um ambiente mais saudável e seguro.