Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 13/08/2020

No século XIX, Stuart Mill, filósofo britânico, expôs sua máxima que dizia " sobre seu próprio corpo e mente, o indivíduo é soberano". Todavia, por mais que o ser humano tenha o direito de controle sob seu corpo, o costume da automedicação contém riscos extremamente graves, considerando que o uso discriminados de medicamentos pode trazer inúmeros efeitos colaterais. Nessa perspectiva, é notória a existência de entraves que permitem a presença desse problema na vida dos brasileiros, visto que  o comportamento dos indivíduos bem como a inoperância estatal são fatores contribuintes para uma falha mormente ao equilíbrio do corpo social.

Em primeiro plano, deve-se ressaltar que o comportamento dos indivíduos no tecido social está diretamente ligado ao assunto. Sob esse viés, consoante à Teoria do Habitus, elaborada pelo sociólogo Pierre Bourdieu,a sociedade possui padrões que são impostos, naturalizados e, posteriormente, reproduzidos pelas pessoas. Nesse contexto, o comportamento de automedicar-se já está incorporado, pois ao se deparar com dor ou qualquer irregularidade, a atitude imediata é a compra de medicamentos comuns no cotidiano, os quais a longo prazo podem vir acompanhados de problemas, como a dependência química e resistência a certas substâncias. Assim, é imprescindível uma mudança de comportamento dos indivíduos para uma mudança de cenário.

Além disso, outro fator o qual influencia nessa questão é a inoperância estatal. Conforme a Constituição Federal do Brasil, a saúde é um direito essencial que a administração governamental deve assegurar aos cidadãos. No entanto, na prática esse direito é constantemente violado, tendo em vista que a falta de investimentos na melhoria de hospitais leva os pacientes a comprarem remédios sem a devida prescrição médica, sobretudo, para evitar a ida em postos de saúde precários. A partir desse pressuposto, observa-se por parte do Estado uma ruptura do “Contrato Social”, defendido pelo filósofo Jean-Jacques Rousseau, em que a esfera pública deve garantir o bem-estar individual e coletivo.

Infere-se, portanto, a necessidade de ações para combater os tais entraves que promovem a automedicação. Em vista disso, o Ministério da Educação, deve propagar informações que conscientizem sobre os perigos da automedicação, principalmente em escolas e mídias, com objetivo de alertar não só adultos mas também a primeira infância. Somado a isso, cabe ao Ministério da Saúde, juntamente com as Secretarias Regionais investir na melhoria urgente da saúde pública, principalmente nas áreas de hospitais com maiores níveis de precariedade, com o intuito de motivar a ida de pessoas para esses locais. Sendo assim, ver-se-ia uma melhoria definitiva na problemática de automedicação.