Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 13/08/2020

O documentário norte-americano “Take Your Pills” (tome suas pílulas) mostra o grande público que faz uso de fármacos sem prescrição médica. A obra evidencia que em meio ao estilo de vida dinâmico atual, o número de pessoas que confiam em opiniões alheias, palpites midiáticos e aconselhamento de farmacêuticos, é realmente significativo. Desse modo, percebe-se que a ausência informacional e o Interesse lucrativo das empresas farmacêuticas contribuem para a perpetuação de tal situação. Em primeiro plano, vale-se destacar a inegável carência de informações de fato explicativa. De acordo com pesquisas feitas pelo ICTQ (Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade), 48% dos balconistas de farmácia prescrevem medicamentos para a população. Tal comportamento, junto com o fato de que muitos indivíduos não possuem acesso facilitado a médicos e hospitais, demonstra uma abertura para que a população se automedique e deposite total confiança em funcionários de farmácias, o que pode levar ao agravamento do caso clínico do paciente. Logo, evidencia-se a relevância da ação governamental como medida de combate a problemática.

Analogamente, segundo o sociólogo Theodor Adorno, ao sistema capitalista, o homem interessa tão somente quanto consumidor, reduzindo, assim, a humanidade na indústria de consumo. Conforme tal linha de pensamento, é nítido que diversas vezes os interesses rentáveis ultrapassam os limites, onde muitos dos administradores da empresa farmacêuticas destaca, acima de tudo, o lucro do estabelecimento. Outrossim, de acordo com dados do ICTQ, 42% do rendimento das principais corporações farmacêuticas do Brasil são provenientes de medicamentos vendidos sem receita médica, confirmando a preocupação apenas com o ganho e a falta de empatia para com o consumidor. Assim, sabe-se que o a persistência desse tipo de atitude contribui para o agravamento da situação.

Em suma, para que os efeitos da automedicação sejam atenuados, é necessário que o Ministério da Saúde cumpra com suas responsabilidades para com o SUS, acelerando processo de atendimento e facilitando o acesso, para que todos possuam a chance de ser bem atendido e diminua as chances da busca pela automedicação. Ademais, é indispensável a fiscalização pelo Poder Legislativo de leis que dificultam a venda de fármacos sem prescrição médica. Além disso, cabe a mídia, por intermédio de campanhas de fácil acesso, instruir a população dos perigos da ingestão de remédios sem orientação profissional. Assim, será possível, gradativamente, e melhoria de tal situação.