Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 13/08/2020

Na série “Sob Pressão”, exibida pela Rede Globo, é retratado a rotina exaustiva de médicos emergencistas, dentre eles, Evandro, que realiza a automedicação para seus transtornos de ansiedade, por meio de um medicamento tarja preta. Visto isso, tal programa pode ser relacionado à automedicação em debate no século XXI. De pronto, evidenciam-se a ausência informacional bem como a negligência comercial, impulsionando as consequências maléficas da automedicação.

É notório o fato de que inúmeras pessoas não contenham conhecimentos químico, farmacêutico e médico para terem noção dos componentes presentes em medicamentos e suas possíveis consequências. Esse panorama pode ser interpretado pelo filósofo francês Voltaire que afirmava, “Aquilo a que chamamos acaso não é, não pode deixar de ser, senão a causa ignorada de um efeito conhecido”. Tal reflexão, pode ser relacionada a ausência informacional dos consumidores para com a utilização de fármacos. Com isso, o indivíduo que usa medicamentos de forma incorreta pode acarretar o agravamento de uma doença, uma vez que sua utilização inadequada pode esconder determinados sintomas, como também pode causar algum tipo intoxicação.

Outrossim, compreende-se quem o mercado pode corromper o empresário, que pode querer tirar vantagens dos consumidores por meio da omissão de dados do produto. Isso pode ser comprovado pelo levantamento feito pelo ICTQ (Instituto de Ciência Tecnologia e Qualidade), 42% do lucro das principais corporações farmacêuticas do Brasil são provenientes de medicamentos vendidos sem receita médica. Tal dado, encaixa-se com a negligência salutar advinda das empresas farmacêuticas, que omitem informações sobre suas drogas. Consequentemente, um consumidor que compra um produto sem prescrição médica e sem completo conhecimento sobre o produto, encontra-se em risco de poder facilitar o aumento da resistência de microrganismos, o que compromete a eficácia dos tratamentos, podendo desenvolver as superbactérias e  reações alérgicas.

Com base no que foi exposto, entende-se que para haver amenização da automedicação, é imperativo que o Ministério da Educação implante palestras mensais nas escolas acerca dos riscos da automedicação sem prescrição de um profissional, para prevenir intoxicações e ocultações de sintomas. Além disso, o Ministério da Saúde deve exigir das empresas farmacêuticas melhores e maiores avisos de contra indicações em suas propagandas e em seus produtos, aumentando sua sinalização bem como a sua duração em propagandas, assim evita-se a criação de resistência de microrganismos e previne-se reações alérgicas. Poder-se-á, assim, haver uma automedicação consciente e saudável no século XXI.