Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 12/08/2020

Na obra “História Geral da Medicina Brasileira”, Santos Filho descreve práticas médicas indígenas no brasil do século XVI. À época, a população compreendia as doenças e enfermidades como um castigo religioso e, por conta disso, utilizavam métodos indutivos e xamânicos para se automedicarem. Diante disso, na atual realidade brasileira, essa prática ainda persiste, visto que a ação de tomar remédios sem prescrição medica vem crescendo cada vez mais. Isso ocorre, ora em função da influência virtual, ora pela falta de leis que controlam a venda de medicamentos sem prescrição.

Em primeiro plano, vale destacar que, no mundo hodierno, há um grande avanço tecnológico que permite a obtenção rápida e fácil de conteúdos. Nesse sentido, a internet é hoje um dos meios de comunicação mais usado e facilita, para os indivíduos, a procura de informações medicas em blogs, sites e redes sociais. Porém, esse acesso virtual indiscriminado pode, muitas vezes, influenciar um cidadão a autodiagnosticar-se e automedicar-se incorretamente causando outros problemas graves de saúde, além de dificultar um diagnóstico por parte dos profissionais da área, pois o medicamento pode apenas mascarar a doença, provocando um agravamento no caso.

Paralelamente a essa dimensão, a RDC 98/2016, estabelece critérios para isenção de prescrição de medicamentos, levando em conta o tempo mínimo de comercialização, a segurança, a indicação para o tratamento, a utilização por curto período de tempo, o baixo potencial de risco ao paciente e não apresentar potencial dependência. De acordo com uma pesquisa realizada pelo conselho federal de farmácias, por meio do instituto Datafolha, cerca de 77% dos brasileiros se automedicam. De forma análoga a esse pensamento, a falta de leis que normatizem a quantidade de medicamentos vendidos sem receita, gera a compra e consumo, excessivo e frequente, de remédios por parte da população, levando a intoxicação ou até a morte.

Torna-se evidente, portanto, a necessidade de conscientizar a população sobre os malefícios do autodiagnostico e sua posterior automedicação e de uma legislação que limite a compra e venda de fármacos sem prescrição. Assim, cabe ao Governo juntamente com ONGs, promover companhas de conscientização, por intermédio de meios de comunicação, como a televisão e a internet, a fim de que a população seja informada sobre os riscos de consumir medicamentos sem indicação de um médico. Outrossim, compete ao Estado, controlar a venda de remédios isentos de prescrição, por meio da criação e aprovação de leis que tratam do assunto, de modo que esses sejam vendidos de forma fracionada para os cidadãos. Dessa forma, além de diminuir as taxas de automedicação e os problemas causados por ela, pode-se evitar o desperdício de medicamentos.