Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 13/08/2020
“A diferença entre um remédio e um veneno está só na dosagem." Essa frase de Paracelso, médico e físico suíço do século XVI, descreve, de forma bastante direta, a tênue linha que separa as duas faces que um remédio pode apresentar. Sob esse viés, a automedicação, ato comum entre os cidadãos brasileiros, traz consigo diversos riscos à saúde dos usuários, fazendo com que tal assunto entre em debate hodiernamente. Nessa perspectiva, destacam-se como problemáticas vinculadas ao tema aquelas relacionadas aos fatores histórico-culturais presentes na sociedade e, além disso, ao fácil acesso às drogas em farmácias e hospitais.
Primeiramente, ao notar que com o uso de certas plantas algumas de suas enfermidades se atenuavam, os seres humanos passaram a dominar seu conhecimento e cultivo. Por conseguinte, tais aprendizados foram difundidos através das gerações, fazendo com que muitos desses, consequentemente, virassem noções vinculadas ao senso comum, tendo como consequência a prática da automedicação. Tal tese reforça-se com a pesquisa realizada pelo Datafolha, que confirmou que cerca de 80% da população brasileira se automedica. Logo, problemas relacionados a essa prática surgiram, desde intoxicações devido ao uso dos fármacos de forma incorreta, até o óbito de indivíduos. Em segundo plano, é importante salientar que o fenômeno da automedicação está relacionado à facilidade de se adquirir fármacos em hospitais e farmácias. A exemplo, em meados da década de 60, começou a circular em boates norte-americanas o “lean”, droga a base de xarope de codeína, medicamento utilizado para dores de cabeça. Esse fármaco, por não possuir restrição alguma, acabou sendo amplamente utilizado, levando diversos indivíduos a complicações sérias. Ademais, tal situação se relaciona com outros medicamentos que, utilizados sem a consulta prévia de um médico ou especialista, podem causar efeitos negativos diversos no organismo dos usuários. Assim, tal problemática fez com que peritos condenassem a prática da automedicação e que exigissem medidas para que a atenuasse.
A partir dos fatos supracitados e com objetivo de amenizá-los, o Ministério da Saúde deve investir em campanhas de conscientização que abordam a prática da automedicação, por meio do direcionamento de verba estatal para sua realização, com o intuito de diminuir o número de praticantes dessa problemática. Somado a isso, a Anvisa deve aumentar o controle sob a distribuição de medicamentos, estabelecendo leis mais rígidas sobre a comercialização desses produtos, a fim de que o acesso a drogas comumente relacionadas a práticas de automedicação diminua cada vez mais. Assim, observar-se-ia uma redução considerável das taxas dessa prática.