Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 13/08/2020
Na série “Euphoria”, exibida pela emissora HBO, de 2019, é retratada a jornada da protagonista Rue, uma adolescente que, por sofrer de distúrbios psíquicos desde a infância, busca nos entorpecentes uma forma de escapar de sua realidade. Fora da ficção, percebe-se que o cenário retratado no seriado se aproxima ao contexto atual do Brasil, visto que inúmeros indivíduos têm praticado excessivamente a automedicação. Sob tal ótica, os interesses das empresas farmacêuticas e a falsa sensação de sabedoria corroboram para a continuidade desse impasse.
Primeiramente, vale destacar, que a automedicação gera efeitos negativos para cada cidadão, que na maioria das vezes usa uma dosagem diferente da que seu corpo precisa gerando efeitos negativos em sua saúde. Conforme o levantamento feito pelo ICTQ (Instituto de Ciência Tecnologia e Qualidade), 42% do lucro das principais corporações farmacêuticas do Brasil é proveniente de medicamentos vendidos sem receita médica. Dessa forma, é notório que os interesses da indústria farmacêutica estão crescendo cada vez mais no quesito de vendas de remédios sem receitas no Brasil, o qual não precisa de uma autorização médica para adquiri-lo.
Por outro viés, na citação proferida por Stephen Hawking, físico britânico, “O maior inimigo do conhecimento não é a ignorância, mas sim a ilusão de ter conhecimento”, é exposta o perigo da falsa sensação do saber na vida de uma pessoa. Analogamente, na situação atual brasileira, que as pessoas se medicam por conta própria, com o pensamento de que é a coisa certa para seu corpo sem ter nenhuma indicação profissional, ou porque algum conhecido já ingeriu o mesmo medicamento e pensa que vai funcionar consigo mesmo. Assim, pode gerar seqüelas para sua saúde, pois cada corpo é diferente e responde de forma diferente para cada substância.
Por tanto, cabe ao Poder Executivo – instituição de alta relevância para o país – potencializar a fiscalização nas empresas farmacêuticas, por meio do Conselho Regional de Farmácias de cada Estado, implantando regras para a contratação de farmacêuticos, a fim de reduzir a venda inadequada de remédios sem prescrição médica. Paralelo a isso, a sociedade civil deve reconhecer que para ingerir qualquer tipo de medicamento necessita de acompanhamento de um profissional, por meio de campanhas mediáticas, para assim as pessoas fazerem bem a si mesmo. Desse modo, irá se atenuar a automedicação de forma inadequada no Brasil.