Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 12/08/2020
Na série “Euphoria”, de 2019, é retratada a jornada da protagonista Rue, uma adolescente que, por sofrer de distúrbios psíquicos desde a infância, busca nos entorpecentes uma forma de escapar de sua realidade. Fora da ficção, é de caráter rotineiro a atual frequência do uso de medicamentos sem prescrições medicas. Sendo assim, percebe-se que o interesse farmacêutico e a dificuldade de acesso aos serviços de saúde contribuem para a efetuação do automedicamento.
No Brasil, embora haja regulamentação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) para a comercialização e publicidade de medicamentos que possam ser obtidos sem recomendação e acompanhamento médico, não há normatização nem diretriz para aqueles que os consomem. Para o Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ), em pesquisa feita, 48% dos balconistas de farmácia prescrevem medicamentos para a população. Com isso, a confiança adquirida pelos consumidores passa a ser risco à saúde dos mesmos, uma vez que a automedicação é capaz de intoxicar ou, ainda, causar óbito do indivíduo. Portanto, torna-se de suma importância a atenção e responsabilidade dos profissionais envolvidos em orientar seus clientes.
Em segundo plano, analisa-se as condições socioeconômicas de parte populacional, na qual é impossibilitada de ingressar de maneira rápida e ágil aos estabelecimentos de saúde, como hospitais e clinicas. Segundo dados do IBGE, cerca de 35 milhões de brasileiros ainda não têm acesso a nenhum serviço de saúde de uso regular. Logo, essa parcela social encontra-se submetida ao uso inadequado de medicações disponíveis em seus lares, sem que haja qualquer segurança e certeza do ato. Consequentemente, se o corpo rejeitar a dose, problemas ainda maiores que os iniciais serão estimulados, comprometendo a vida do cidadão que não alcança assistência imediata.
Por conseguinte, cabe ao Ministério de Saúde potencializar projetos de conscientização popular e reformar a lista de medicamento comercializados apenas com receita médica, ampliando-a, por meio de divulgações nas mídias, em prol de efetivar parte massiva da sociedade e diminuir os relatos de más reações a tal prática. Paralelo a isso, a Prefeitura de cada município, juntamente do Sistema Único de Saúde (SUS) devem proporcionar mais centros de atendimento nos bairros carentes, por intermédio de políticas públicas, visando reverter o drástico cenário apresentado, e assim, garantir a segurança e saúde individual e pública.