Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 13/08/2020
Na obra “História Geral da Medicina Brasileira”, Santos Filho descreve práticas médicas indígenas no brasil do século XVI. À época, a população compreendia as doenças e enfermidades como um castigo religioso e, por conta disso, utilizavam métodos indutivos para se automedicarem. Semelhante ao ocorrido antigamente, atualmente no Brasil, muitos indivíduos utilizam a automedicação como solução para problemas no âmbito da saúde, na maioria das vezes, de forma errônea e não acompanhada por um profissional da área. Nesse sentido, dentre os fatores que contribuem para essa situação, destacam-se a precariedade do sistema único de saúde aliada à carência informacional de grande parcela da população brasileira.
Primeiramente, Zygmunt Bauman apresenta em seu livro o conceito de “instituições zumbis”, caracterizadas como instituições que perderam sua função social, mas ainda mantém sua forma. Assim, é cabível atribuir tal pensamento ao SUS que, devido à falta de investimentos, deixa a desejar em muitos aspectos como estrutura, agilidade de atendimento e qualidade dos materiais. Dessa forma , torna-se incapaz de desempenhar seu papel social, que consiste em prestar auxílio, de natureza médica e emergencial, à população. Por conseguinte, o ato de se automedicar é tido como uma solução mais prática para o alívio de determinados sintomas por aqueles que não possuem condições financeiras para usufruir de serviços de saúde privados.
Somado a isso, é importante ressaltar que para a Organização Mundial da Saúde (OMS), as intoxicações pela automedicação representam dez por cento das internações hospitalares. Tal dado evidencia a periculosidade do ato, muitas vezes tido como benéfico, de fazer uso frequente de remédios, como calmantes ou relaxantes musculares, sem a prescrição de um médico. Isso porque, devido à falta de acesso à informações verídicas, muitas pessoas não buscam saber ou pesquisam em sites duvidosos como o Google. Logo, são prejudicadas pois não possuem nenhuma certeza se o medicamento em questão pode causar danos colaterais ou, se usado excesso, causar intoxicação ou dependência direta.
Desse modo, é inegável que a automedicação trás muito mais malefícios do que benefícios ao cidadão e pode causar danos irreversíveis em relação à saúde. Para que seja possível alterar tal cenário, é imprescindível que o Governo - órgão responsável pela manutenção do SUS- busque melhorar o sistema de distribuição de renda, a fim de possibilitar melhorias no sistema de saúde público. Aliado a isso, cabe à mídia promover campanhas de conscientização que sejam de fácil acesso para todas as classes sociais.