Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 13/08/2020
“A diferença entre um remédio e um veneno está só na dosagem.” Essa frase de Paracelso, médico e físico suíço, descreve, de forma bastante direta, a tênue linha que separa as duas faces que um remédio pode apresentar. Por esse aspecto, é possível fazer uma analogia ao Brasil atual, onde várias pessoas se automedicam, diversas vezes de forma incorreta, e o fármaco utilizado pode acabar prejudicando a saúde dos indivíduos ao invés de ajudá-los. Nesse contexto, tornam-se evidentes a falsa sensação de sabedoria e a influência midiática como fatores que agravam a problemática.
Segundo o físico britânico Stephen Hawking, o maior inimigo do conhecimento não é a ignorância, mas sim a ilusão de ter conhecimento. Logo, pode-se inferir que a falsa sensação do saber na vida de uma pessoa é muito perigosa, especialmente quando se trata de remédios. Isso porque, a partir do momento em que alguém se considera capaz de realizar a automedicação, o indivíduo pode escolher um remédio inadequado para o tratamento que necessita, ou então, consumir a dose errada do medicamento. Por conseguinte, o fármaco não dá fim a doença e em vários casos pode até agravar a situação, concedendo resistência aos agentes infecciosos.
Além disso, é notória a influência da mídia na vida dos cidadãos brasileiros, inclusive em relação ao uso de remédios. De acordo com o sociólogo Theodor Adorno, ao sistema capitalista, o homem interessa tão somente quanto consumidor, reduzindo, assim, a humanidade na indústria de consumo. Por esse viés, percebe-se que as empresas farmacêuticas, ao divulgarem seus medicamentos por meio de propagandas nos diversos meios midiáticos, os apresentam como produtos milagrosos e que solucionam inúmeros problemas, com a intenção de aumentar suas vendas e, então, seus lucros. Consequentemente, grande parte da população adquire esses fármacos sem prescrição médica e os utilizam de modo incorreto, o que causa diversos efeitos colaterais.
Diante dos fatos supracitados, faz-se necessário que o Ministério da Saúde promova campanhas, por meio de cartazes informativos e de vídeos explicativos no meio televisivo, que esclareçam os riscos da automedicação, mediante a demonstração das complicações que esse método pode originar, a fim de conscientizar o corpo social sobre a importância de se consultar com um médico para receber o tratamento adequado. Ademais, cabe ao Governo ampliar as normas que regem a publicidade dos remédios, por intermédio da criação de novas leis que aprimorem a regulamentação desse ato, para que o povo não seja exposto a alta idealização dos fármacos. Assim, será evidente a diminuição da prática da automedicação no país.