Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 12/08/2020
Na série “Sob Pressão”, exibida pela Rede Globo, é retratado a rotina exaustiva de médicos emergencistas, dentre eles, Evandro, que realiza a automedicação para seus transtornos de ansiedade, por meio de um medicamento tarja preta. Na realidade atual, comportamentos desse tipo se mostram cada vez mais frequentes, haja vista a ausência informacional em consonância com a legislação fragilizada pela falta de fiscalização. Dessa forma, faz-se necessário a análise desses impasses, tendo como objetivo a sua resolução.
De acordo com os dados do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sintox), os medicamentos são responsáveis por 28% de todas as notificações de intoxicação. Tal fato se mostra de maneira contrária à intenção daqueles que se automedicam, visto que seu objetivo é melhorar a saúde e o bem-estar. Desse modo, é notável os perigos que a falta de informação e a administração de medicamentos feita de forma independente e indiscriminada, sem orientações médicas, pode acarretar na vida de um ser humano, levando milhares de pessoas à intoxicação todos os anos, e até mesmo, a óbito.
Fundamentando-se no “Imperativo Categórico”, proposto por Immanuel Kant, filósofo prussiano, é relevante que toda e qualquer ação colocada em prática tenha como natureza uma preocupação moral e social intrínseca por parte de quem a exerça. Entretanto, várias leis e ordens relacionadas à saúde e os perigos da automedicação não são fiscalizadas e nem recebem a importância que deveriam, fazendo com que milhares de pessoas tenham fácil acesso a medicamentos controlados e façam seu uso sem receita ou orientação médica. Nessa perspectiva, observa-se a falta de fiscalização e cumprimento das leis, deixando os cidadãos com certa liberdade para ingerir medicamentos monitorados.
Diante dessa problemática, cabe ao Ministério da Saúde, juntamente com a Anvisa, aumentar a fiscalização e a qualificação dos profissionais para tal serviço, além de orientar os farmacêuticos a detectarem possíveis fraudes ou médicos em situação irregular dando prescrições. Além disso, a Anvisa, juntamente com a mídia nacional, deve produzir campanhas educativas — por meio de cartilhas virtuais e curtas-metragens a serem veiculadas nas mídias sociais — a fim de conscientizar a população a não fazer o uso de medicamentos de forma independente e buscar um profissional, colocando em vista os riscos que a automedicação pode provocar. Assim, os malefícios causados pela automedicação poderão ser mitigados e uma parcela maior da população terá conhecimento sobre suas consequências.