Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 12/08/2020
Conforme identificado pelo site do G1, o Brasil é o campeão mundial no uso de fármacos sem prescrição médica, sendo uma prática comum a, praticamente, 90% da população. Entretanto, muito se discute sobre a automedicação, uma ação que pode trazer consequências graves para indivíduos que não consultam um profissional na área. Nesse âmbito, pode-se analisar que a problemática persiste, muitas vezes, pela influencia virtual e pelo interesse das empresas farmacêuticas.
Deve-se pontuar, de início, que a influencia virtual configura-se como um grave empecilho no que se diz respeito à automedicação. Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), as intoxicações pela automedicação representam dez por cento das internações hospitalares. Em vista disso, sabe-se, que um dos causadores dessa intoxicação é o poder que a influência, por meio das redes sociais, tem sobre o ser humano, levando a população a comprar algum remédio pela indicação de outra pessoa, fazendo o uso indiscriminado de medicamentos sem qualquer orientação profissional, podendo ocasionar problemas graves à saúde.
Em segunda análise, convém ressaltar que a facilidade de comercialização de remédios contribui para o interesse das indústrias farmacêuticas. Conforme o levantamento feito pelo ICTQ (Instituto de Ciência Tecnologia e Qualidade), 42% do lucro das principais corporações farmacêuticas do Brasil são provenientes de medicamentos vendidos sem receita médica. Portanto, é notável o interesse das empresas que utilizam a publicidade para estimular o uso frequente de medicamentos, visando lucrar em cima da população que se automedica, colocando em risco à saúde pública para fins lucrativos e não para o bem dos cidadãos.
Com base na discussão elencada, percebe-se que a influência virtual e o interesse das empresas farmacêuticas são causadores para agravar os problemas da automedicação. Logo, com o intuito de amenizar essa problemática, a mídia, por meio de campanhas de conscientização, deve alertar os riscos causados pelo consumo de qualquer medicamento sem receita médica, a fim de melhorar as condições de saúde da população. Além disso, a ANVISA (Agencia Nacional de Vigilância Sanitária), órgão responsável pela fiscalização dos produtos farmacêuticos, pode proibir a divulgação de propagandas de medicamentos nos canais de comunicação, além de promover uma melhor fiscalização na venda remédios para a população. Dessa forma, será possível evitar as consequências causadas pela automedicação.