Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 12/08/2020
Segundo o Datafolha, atualmente, 77% da população brasileira promove a automedicação. Portanto, fica evidente que esse mal hábito, que pode ser conceituado como a ação de tomar medicamentos mesmo sem o consentimento de um profissional de saúde, tem presença notável no cotidiano do povo brasileiro. Desse modo, situações como a falsa sensação de sabedoria sobre o assunto em conjunto com o interesse das empresas farmacêuticas em lucrar corroboram com a problemática no país.
Em primeiro plano, deve-se notar que o amplo acesso a informações, característica do tempo hodierno, contribui para a falsa sensação de possuir o conhecimento sobre tudo. “O maior inimigo do conhecimento não é a ignorância, mas sim a ilusão de ter conhecimento”. Na citação proferida por Stephen Hawking, físico britânico, é exposto o perigo da falsa sensação do saber na vida de uma pessoa. À luz dessa perspectiva, a concepção, muitas vezes errônea, de se considerar apto e entendido de assuntos que envolvem a saúde, mesmo não sendo um profissional capacitado nessa área, corrobora para a proliferação da automedicação. Desse modo, devido a essa falsa sensação de sabedoria no assunto, o indivíduo se automedica, o que, consequentemente poderá gerar problemas de saúde.
Outrossim, conforme o levantamento feito pelo ICTQ (Instituto de Ciência Tecnologia e Qualidade), 42% do lucro das principais corporações farmacêuticas do Brasil são provenientes de medicamentos vendidos sem receita médica. Sob esse viés, é notável que as empresas farmacêuticas tem muito a ganhar promovendo a automedicação, por meio do incentivo à venda informal de remédios sem prescrição de um especialista no quesito. Assim, mais medicamentos são vendidos e mais lucro as empresas geram, ocasionando como consequência, além de possíveis problemas de saúde nos seus clientes, a formulação da ideia errônea de que não é preciso prescrição médica para obtenção de medicamentos, o que gera um ciclo vicioso.
A partir dos argumentos citados, a Mídia, com ação conjunta em todos os meios de comunicação, em parceria com o Ministério da Saúde, devem incentivar a conscientização das pessoas, por meio de campanhas e propagandas que discutam sobre os perigos da automedicação, a fim de aumentar o conhecimento do povo no assunto, minimizando a problemática. Além disso, o Poder Legislativo, deve aumentar a fiscalização em farmácias, por meio da criação e divulgação de projetos de lei, a fim de diminuir a ocorrência da venda de medicamentos sem prescrição médica. Desse modo, poderá se concretizar uma população mais informada e responsável.