Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 13/08/2020

“Take Your Pills” (tome suas pílulas) é um documentário norte-americano produzido em 2018 que mostra o grande público que faz uso de fármacos sem prescrição médica. De forma análoga à produção cinematográfica, percebe-se na realidade brasileira atual a mesma questão. Assim, pode-se dizer que não só a negligência comercial farmacêutica, mas também a influência virtual podem ser vistas como dois importantes agentes contribuintes para a ocorrência do problema.

Em primeiro plano, deve-se ressaltar que, no Brasil, apesar do crescente aumento na disseminação de informações e recomendações sobre os riscos da possibilidade de desenvolvimento de problemas que podem ser desencadeados pela venda descuidada de fármacos, a indústria farmacoeconômica ainda vem atuando de forma negligente. De acordo com estudos realizados pelo Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade, 48% dos balconistas de farmácia prescrevem medicamentos para a população. Dessa forma, denota-se que, tendo em vista o alto número de prescrições não realizadas por médicos, uma grande parcela da população está sujeita ao desenvolvimento de problemas futuros relacionados à essa negligência.

Paralelamente à questão farmacoeconômica, é fundamental também levar em conta o contexto midiático do país, que se mostra de grande influência na persuasão populacional quando induz os cidadãos brasileiros à automedicação. Segundo dados compilados pela Organização Mundial da Saúde, as intoxicações geradas pela automedicação representam 10% das internações hospitalares. À vista desses dados, é possível inferir que os brasileiros são constantemente motivados pela falsa ideia de prescrição médica indiretamente demonstrada nos meios de difusão informacional midiática, sendo, consequentemente, vítimas de acidentes que poderiam ser evitados.

Dado o exposto, é nítida a necessidade da realização de ajustes nos sistemas relacionados à automedicação no Brasil. Visando a venda adequada de medicamentos em farmácias, cabe aos Governadores de cada unidade federativa brasileira distribuírem sistemas suficientes de fiscalização, por meio da instituição de peritos nesses centros. Já o Ministério da Educação é responsável pela  conscientização da população em fase estudantil por meio da implantação de orientações no meio escolar sobre a influência midiática, visando assim a redução da automedicação, prática comum entre os cidadãos brasileiros. Dessa maneira, torna-se mais próxima a possibilidade das futuras gerações brasileiras vivenciarem uma realidade mais saudável e consciente.