Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 13/08/2020

Na série de televisão norte-americana “Dr. House”, o protagonista é viciado em medicamentos que diminuem sua dor muscular. De maneira análoga à obra televisiva, tal uso de fármacos, muitas vezes sem prescrição, se faz presente na atualidade,a automedicação é prejudicial ao indivíduo e à sociedade, na medida em que pode levar à intoxicação ou a morte do usuário visto que o país possui uma grande incompetência estatal que junto com ausência informacional corroboram a cultura da automedicação.

Segundo a Constituição Federal do Brasil, a saúde é um direito essencial que a administração governamental deve garantir aos cidadãos. No entanto, na prática esse direito é vilipendiado, tendo em vista o pouco repasso de investimentos voltados para a melhoria na qualidade de hospitais e postos de saúde, o que ocasiona nas pessoas a iniciativa na compra de remédios sem o devido diagnóstico e prescrição médica, sobretudo, para evitar a ida aos estabelecimentos públicos precários e com falta de estoque. A partir dessa conjectura, observa-se por parte do Estado uma ruptura do “Contrato Social”, defendido pelo filósofo Jean-Jacques Rousseau, em que a esfera pública deve garantir o bem-estar individual e coletivo.

Além de tudo, outro fator, o qual influencia nessa questão, é a ausência informacional no tecido social. Sob esse viés, consoante à Teoria do Habitus, elaborada pelo sociólogo Pierre Bourdieu, a sociedade possui padrões que são impostos, naturalizados e, posteriormente, reproduzidos pelas pessoas. Nesse contexto, a cultura de automedicar-se já está incorporada, pois ao se deparar com uma gripe ou dor de cabeça, a ação imediata é a compra e estoque de medicamentos comuns no cotidiano, os quais a longo prazo podem vir acompanhados de problemas, visto que de acordo com o médico Suíço Paracelso, ‘‘a diferença entre o remédio e o veneno é a dosagem’’ assim descrevendo, de forma direta, a tênue linha que separa as duas faces que um remédio pode apresentar, evidenciando uma mudança de comportamento dos indivíduos para uma mudança dessa situação.

Infere-se, portanto, a necessidade de ações para combater os entraves que promovem a automedicação. Em vista disso, urge que o Ministério da Saúde, deve promover um maior repasso de investimentos para a saúde pública, por intermédio de emendas constitucionais, as quais permitam a destinação de capital para os diversos estados do Brasil, no intuito de atrair pessoas para esses locais, com o fito de oferecer um adequado tratamento diante de qualquer enfermidade. Somado a isso, o Ministério da Educação deve propagar informações sobre os perigos da automedicação, principalmente nas escolas e na mídia, com o objetivo de conscientizar os adultos e também a primeira infância. Assim, o Brasil dará muitos outros passos para o progresso, assim como o homem na lua.