Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 13/08/2020
Na série “Sob Pressão”, exibida pela rede globo, é retratado a rotina exaustiva de médicos emergenciais, dentre eles, Evandro, que realiza a automedicação para seus transtornos de ansiedade, por meio de um medicamento tarja preta. A partir disso, é possível relacionar a ação do personagem citado com a atual situação de grande parte da população brasileira, a qual realiza o uso indiscriminado de medicamentos no dia a dia visando tratar suas próprias enfermidades. Nesse contexto, é possível analisar o cenário da automedicação no Brasil e suas consequências na sociedade. Dentro dessa perspectiva, observa-se a ausência informacional e a atuação das empresas farmacêuticas como influenciadores da problemática.
Primeiramente, durante a realização de uma pesquisa nacional do ICTQ, foi constatado que cerca de 46,1% dos entrevistados não realizam a leitura da bula dos medicamentos. Tal dado reflete-se no hábito da população em realizar a automedicação sem as devidas informações prévias necessárias à utilização de forma segura. Nesse sentido, a inconsequência no uso de medicamentos a partir da falta de informação reflete-se no fato de cerca de 28% dos casos de intoxicação derivarem-se do uso incorreto de remédios. Nesse sentido, o ciclo vicioso do uso desinformado das drogas prejudica a qualidade de vida da população, reforçando o cenário prejudicial da automedicação no país.
Em segundo plano, de acordo com Theodor Adorno, ao sistema capitalista, o homem interessa tão somente quanto consumidor, reduzindo, assim, a humanidade na indústria de consumo. Nesse contexto, a partir de tal massificação do consumo, as corporações farmacêuticas privatizam e promovem o uso indiscriminado de medicamentos na sociedade, visando o crescimento apenas ao seu lucro, desconsiderando o bem estar social ou a verdadeira manutenção da saúde populacional. Para isso, prometem curas milagrosas que pouco são inovadas no quesito eficiência, em troca de preços altíssimos. Dessa forma, a sociedade mantem-se imersa na automedicação promovendo cada vez mais o crescimento da indústria farmacêutica juntamento com o vício nos medicamentos capitalizados.
A partir dos fatos apresentados, entende-se que o Ministério da Saúde, como órgão responsável pela manutenção da saúde nacional, tem como dever promover o uso consciente de medicamentos juntamente com o incentivo à informação e pesquisa acerca dos remédios mais utilizados pela população, visando promover a automedicação de forma menos inconsequente e segura. Além disso, é necessário que a ANVISA, como agente de controle farmacêutico, realize o controle de preços e propagandas relacionadas principalmente a medicamentos passíveis de serem adquiridos sem receita médica, para que a população não seja enganada e fique viciada e em medicamentos enganosos.