Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 13/08/2020
A série “Sob Pressão”, exibida pela Rede Globo, retrata a rotina exaustiva de médicos emergencistas, dentre eles, Evandro, que realiza o uso indevido de medicamentos sem prescrição médica para seus transtornos de ansiedade, por meio de um remédio tarja preta. Fora da ficção, pode-se perceber que a situação retratada no cenário cinematográfico se assemelha com a realidade brasileira do século XXI, uma vez que os indivíduos utilizam da automedicação como tentativa de curar suas enfermidades. Com isso, a fragilização das legislações por falta de fiscalizações, bem como o interesse econômico das indústrias farmacêuticas, corroboram para a manutenção da problemática.
Em primeira análise, é evidente que o Ministério Publico Federal não atua de forma cabal na fiscalização das legislações sobre a saída de remédios. De acordo com os dados do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sintox), os medicamentos são responsáveis por 28% de todas as notificações de intoxicação. Tal quadro é preocupante, pois o percentual de indivíduos que apresentam consequências negativas em relação à utilização de fármacos sem prescrição médica é eminente. Nesse sentido, é visível que o legislativo não cumpre o seu papel de fiscalizador para reduzir esse quadro da venda de produtos sem indicação de um profissional de saúde.
Paralelamente a esse contexto, o interesse econômico das indústrias farmacêuticas contribui para o fortalecimento da situação-problema. Segundo o sociólogo Theodor Adorno, ao sistema capitalista, o homem interessa tão somente quanto consumidor, reduzindo, assim, a humanidade na indústria de consumo. De forma análoga a esse pensamento, tem-se que as redes de produção de medicamentos procuram se preocupar mais com o lucro obtido para se integrar na sociedade capitalista do que com a saúde dos indivíduos consumidores dos medicamentos. Não obstante, é conspícuo que a automedicação também é culpa dos setores farmacêuticos, uma vez que colocam a vida de terceiros em risco.
Torna-se evidente, portanto, a necessidade de repensar sobre a automedicação no Brasil. Assim, cabe ao Legislativo, juntamente com o Governo Federa, alterar a eficiência das leis, por meio de penalizações rigorosas para indivíduos que não praticam o seu cumprimento, a fim de reduzir a venda de medicamentos sem prescrição médica. Outrossim, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com a Anvisa - órgão que atua no controle sanitário de produtos nacionais e importado - promover palestras informativas às empresas farmacêuticas, por intermédio da abordagem de temas que alertem o risco da automedicação, com o intuito de promover empatia das firmas para com os consumidores. Sendo assim, esperam-se melhores projeções para o futuro.