Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 13/08/2020
O escritor e jornalista Eduardo Bueno aborda em seu livro “Vendendo Saúde” o fato da indústria farmacêutica, desde o império brasileiro, trabalhar para criar uma reserva de consumidores e solidificar no imaginário popular a necessidade do uso de remédios. No século XXI, com toda a tecnologia e a revolução por ela trazida, tem-se muito presente a questão da automedicação e seus desdobramentos. Logo, as causas dessa problemática são a falsa sensação de sabedoria por conta da influência virtual, além de uma fiscalização fragilizada.
Segundo o sociólogo Theodor Adorno, ao sistema capitalista, o homem interessa tão somente quanto consumidor, reduzindo, assim, a humanidade na indústria do consumo. Tal citação comprova que não há a preocupação com a saúde dos indivíduos, mas sim, com o dinheiro. Desse modo, um paciente que necessita de um medicamento que obriga a prescrição médica, ao consegui-la com a ajuda de conhecidos, ou seja, de forma ilícita, adquire o remédio. Logo, não havendo a fiscalização devida sobre tal prescrição, o fato contribui para o aumento do risco de intoxicações, além da prática de automedicação.
Observa-se, em segundo plano, que boa parte da população possui uma falsa sensação de sabedoria, atrelada ao mundo virtual. Nos tempos atuais, século da inovação da tecnologia tanto nas ciências quanto na comunicação, as informações que antes eram dadas por um especialista na área, acaba m sendo substituídas por artigos em sites não tão confiáveis. Na citação proferida por Stephen Hawking, físico britânico, que diz que o maior inimigo do conhecimento não é a ignorância, mas sim a ilusão de tê-lo, explica e comprova tal cenário que se tornou recorrente.
Em virtude dos fatos mencionados, é necessário que a Anvisa, órgão de vigilância de medicamentos, intensifique suas fiscalizações acerca das prescrições médicas a fim de que consigam diminuir a frequência das falsificações de receitas para que, também, diminua o risco de sintomas colaterais indesejados nos pacientes. Paralelamente, o Governo Federal, com auxílio dos postos de saúde locais, deve realizar campanhas de saúde em prol do combate à automedicação, informando aos cidadãos sobre os riscos dessa prática. Se tais medidas forem tomadas, conseguir-se-á uma sociedade mais saudável e honesta.