Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 13/08/2020
Conforme identificado pelo site G1, o Brasil é o campeão mundial no uso de fármacos sem prescrição médica, sendo uma prática comum a, aproximadamente, 90% da população. Tal dado está relacionado ao obstáculo da automedicação no país, que gera diversos efeitos colaterais aos usuários desse método. Desse modo, o empecilho pode ser explicado pela ausência informacional aliada aos interesses das empresas farmacêuticas em torno dos medicamentos.
Primeiramente, é evidente que grande parte da população carece de recursos informacionais voltados a ingestão de medicamentos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as intoxicações pela automedicação representam dez por cento das internações hospitalares. Nesse sentido, os indivíduos acabam sendo reféns de informações com pouco embasamento cientifico, e se automedicam por experiência própria ou pelo senso comum, sem a assistência de um médico profissional para regular as doses do paciente. Por conseguinte, a automedicação pode gerar complicações e efeitos nocivos aos indivíduos que não fazem uso de auxilio profissional e informacional.
Em segundo plano, é importante salientar que atualmente as empresas farmacêuticas estão visando o lucro em detrimento dos seus clientes. De acordo com o levantamento feito pelo ICTQ (Instituto de Ciência Tecnologia e Qualidade), 42% do lucro das principais corporações farmacêuticas do Brasil são provenientes de medicamentos vendidos sem receita médica. Nesse sentido, é notório que as indústrias corporativas se baseiam em um sistema capitalista, que prioriza os rendimentos se seus produtos, prejudicando os indivíduos que se automedicam. Conforme o cenário elencado, a população fica inerte a uma gama de produtos acessíveis, facilitando a própria ingestão desses fármacos.
É necessário, portanto, que medidas sejam tomadas para desestimular a prática da automedicação no Brasil. Logo, é indispensável que a mídia crie programas informacionais sobre recursos farmacêuticos, por meio de sites e propagandas, com o intuito de conscientizar a população em relação ao conhecimento e uso de fármacos. Paralelamente, o Ministério da saúde juntamente com empresas farmacêuticas instalem sistemas de comercialização justa, por intermédio de verbas governamentais, com o objetivo de assegurar valores adequados, em questão dos medicamentos. Sendo assim, poder-se-á em médio prazo, constituir um cenário harmônico no âmbito da automedicação no país.