Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 13/08/2020

O documentário ‘’Take Your Pills’’, produzido pela Netflix, trata da questão da automedicação em jovens norte-americanos, que buscam uma melhor performance escolar e profissional através de remédios estimulantes como Adderall e Ritalina. No Brasil, o cenário é o mesmo, visto que uma pesquisa da ICTQ (instituto de ciência tecnológica e qualidade) revela que 76,4% dos brasileiros se automedicam, e esse número costuma ser maior entre os jovens. Portanto, é necessário analisar as causas e consequências da automedicação no Brasil para minimizar essa problemática presente no século XXI.

A priori, o número elevado de pessoas que praticam a automedicação deve-se, em grande parte, da terceira revolução industrial, pois, por consequência dela, a troca de informações aumentou consideravelmente, e assim, a prática de ir ao médico tornou-se quase obsoleta, já que qualquer indivíduo que tenha acesso à internet, consegue de forma rápida, pesquisar seus sintomas, dar um veredito e comprar algo relacionado. Além disso, a infraestrutura precária do sistema público de saúde do Brasil leva parte da população a recorrer à métodos pouco confiáveis e com caminhos mais rápidos como a internet para se medicar, isso é visto pela OMS como necessária em casos sem gravidade, para não sobrecarregar ainda mais o sistema de saúde público do pais.

Em consequência, a prática de automedicação pode resultar em sérias complicações para a saúde do praticante. Segundo o instituto brasileiro das organizações sociais de saúde, o principal risco da automedicação e uso indiscriminado é a intoxicação, que de acordo com a fundação Oswaldo Cruz, em 2007, quase 35 mil pessoas sofreram de intoxicação por uso indevido de remédios, sendo que 90 morreram. Ademais, assim como qualquer droga ilícita ou não, quando usada muitas vezes, os remédios podem causar dependência química, e como o estudo científico ainda é recente nesse quesito,não existe algo que defina seus efeitos a longo prazo na saúde humana.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Para tal, o Ministério da Saúde deve proibir a venda de quaisquer medicamentos sem prescrição médica, por meio de um projeto de lei entregue a Câmara dos Deputados, nele deve estar escrito que para a venda de qualquer medicamento é necessário uma consulta com um médico especializado no assunto, a fim de evitar reações adversas a saúde. Para a população carente, que depende do sistema público de saúde, é necessário que o Estado amplie as verbas direcionadas a saúde, aumentando o número de atendimento médico em postos de saúde, assim, evitando o uso indiscriminado de medicamentos. Espera-se, com essas medidas, a automedicação não seja algo tão presente no futuro.