Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 13/08/2020

“A diferença entre um remédio e um veneno está só na dosagem”. Essa frase de Paracelso, médico e físico suíço do século XVI, descreve, de forma bastante direta, a tênue linha que separa as duas faces que um remédio pode apresentar. Mesmo assim, no Brasil, uma boa parcela da população não compreende o perigo potencial que a medicação sem supervisão de um especialista pode ocasionar, optando por realizar a automedicação. Tal cenário, seja pela falsa sensação de sabedoria em conjunto com o amplo acesso informacional, seja pela legislação fragilizada pela falta de fiscalização, se consolida como um problema no país.

Em primeiro plano, é notável a influência dos meios de comunicação nas ações realizadas pelas pessoas. “O maior inimigo do conhecimento não é a ignorância, mas sim a ilusão de ter conhecimento”. Na citação proferida por Stephen Hawking, físico britânico, é exposto o perigo da falsa sensação do saber na vida de uma pessoa. Seguindo esse pensamento, a ideia de se considerar apto para prescrever seus próprios remédios, devido em parte pela facilidade em se obter informações na realidade hodierna, corrobora para o aumento da automedicação entre o povo. Desse modo, aumentam-se o número de problemas causados pela medicação irresponsável, como a deterioração da saúde das pessoas e, consequentemente, óbitos.

Outrossim, para o Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ), em pesquisa feita, 48% dos balconistas de farmácia prescrevem medicamentos para a população. À luz dessa perspectiva, percebe-se que boa parte dos procedimentos para obtenção de remédios ocorre de maneira informal, sem o consentimento de um farmacêutico ou médico. Tal fato, originado pela falta de fiscalização em farmácias, torna medicamentos mais acessíveis, colaborando para o aumento da automedicação entre as pessoas. Desse modo, cria-se a ideia errônea de que a supervisão de um profissional de saúde na obtenção de remédios não é obrigatória.

A partir dos argumentos citados, o Governo Federal em conjunto com a Mídia, que detém a habilidade de influenciar o povo, devem conscientizar as pessoas, por meio de campanhas informativas que sejam focadas em mostrar os perigos que a automedicação proporciona realizadas nos meios de comunicação, a fim de aumentar o conhecimento sobre o assunto na população. Além disso, o Poder Legislativo, deve aumentar a fiscalização presente nas farmácias do país, por meio de projetos de lei e anexos constitucionais, para diminuir os casos de obtenção de remédios sem prescrição de um profissional de saúde. Assim, o povo brasileiro poderá se tornar mais evoluído e responsável.