Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 13/08/2020

Na série “Euphoria’’ (2019), retrata-se a realidade árdua da personagem Rue, uma adolescente que sofre por distúrbios psiquiátricos desde criança. Nesse âmbito, para controlar as crises da doença utiliza-se de remédios entorpecentes sem a prescrição médica, com o intuito de escapar da sua vivência cotidiana. Semelhante ao seriado, no contexto brasileiro contemporâneo, nota-se que automedicação se tornou habitual, potencializando diversos problemas de saúde que podem ser gerados por essa ação. Com isso, a influência midiática, bem como legislação insuficiente, contribuem para continuidade da problemática em território nacional.

Em primeira análise, constata-se a prática de instigar dos meios sociais. Segundo o filósofo alemão Max Horkheimer, a mídia detém o poder de manipular os padrões estéticos e os valores morais de uma população, causando o pensamento universal nos cidadãos. Acerca dessa ideia, verifica-se que a mídia influencia para inúmeras temas – como usar remédios sem receitas clínicas– por meio de propagandas e anúncios que induzem ao consumo nocivo da automedicação. Desse modo, é indubitável que os meios sociais incentivam os indivíduos a esse ato e raramente retratam-se os problemas de saúde causados pela atitude inconsciente.

Além do mais, vale ressaltar a falta da administração correta da legislação. Conforme o filósofo inglês Jonh Locke, o papel do Estado é assegurar a proteção dos direitos dos cidadãos à vida, liberdade e propriedade, ocasionando ao bem social e punindo quem violasse os direitos da sociedade. Entretanto, os órgãos superiores na maior parte dos casos não garantem a segurança da saúde pública, visto que existe uma falha na fiscalização sobre venda indiscriminada de remédios sem prescrição médica. Portanto, a automedicação intensifica-se com falta de comprometimento do Governo em aplicar corretamente a legislação.

Diante disso, é necessário que haja ação da mídia juntamente com Ministério da Saúde - instituição de alta relevância para o país – fornecer informação a população acerca do uso irresponsável da medicação, por meio de campanhas nos meios sociais, a fim de diminuir a influência midiática sobre o consumo nocivo de fármacos sem indicação profissional. Outrossim, compete ao Governo Federal supervisionar o fornecimento de antibióticos, por intermédio de uma fiscalização adequada sobre a venda de remédios sem receita clínica, visando assegurar a saúde pública nacional de possíveis problemas gerados pelo abuso dessas substâncias. A partir dessas intervenções, será possível amenizar a problemática da automedicação no Brasil.