Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 13/08/2020

A Revolta da Vacina, ocorrida no início do século XX, foi uma reação popular à campanha de vacinação obrigatória imposta pelo Governo no Rio de Janeiro. Contemporaneamente, no Brasil, entretanto, o cenário é bem distinto, tendo em vista que é a automedicação que ganha força. Isso se deve, particularmente, ao uso indiscriminado dos medicamentos e à inutilidade do controle estatal sobre a venda de remédios tarja preta - que devem ser vendidos apenas sob prescrição médica.

Em primeiro plano, a aplicação imprópria de certos tipos de remédios pela população é uma barreira para o avanço da medicina. Isso porque, além de ingerir indiscriminadamente remédios paliativos, muitas pessoas não seguem a prescrição médica - segundo pesquisa realizada pelo IBOPE, mais de 50% dos brasileiros afirmam não seguir totalmente o tratamento prescrito pelo médico. Essa realidade é extremamente prejudicial, tendo em vista que o uso exacerbado de alguns medicamentos pode levar o corpo humano a desenvolver resistência ao princípio ativo da droga, ou selecionar micro-organismos mais resistentes - como é o caso do uso incorreto de antibióticos, que pode ocasionar no desenvolvimento de superbactérias, o que demanda um tratamento intensivo e difícil. Dessa maneira, a automedicação deve ser vista como um problema nacional, o que exige uma intervenção governamental.

Em segunda analise, de acordo com o alemão Karl Marx, numa sociedade capitalista o lucro seria priorizado em detrimento dos valores. Certamente, a venda excessiva de remédios tarja preta no Brasil está de acordo com a ideia de Marx. Nessa visão, os graves efeitos colaterais desses medicamentos são desconsiderados em prol do lucro da indústria farmacêutica e dos estabelecimentos que revendem essas drogas. Essa circunstância só é possível devido à ineficácia da vistoria nesses locais, o que traz um grande risco à população, já que esses medicamentos podem causar dependência, depressão e o agravamento de doenças. Dessa forma, é necessário que o Estado intervenha.

Em suma, portanto, que medidas sejam executadas para acalmar a automedicação no país. Nesse sentido, o Estado deve proporcionar políticas públicas de controle contínuo da venda de medicamentos. Essa ação estatal deve ser realizada por meio da intensificação da fiscalização nas farmácias de todos os estados, com o auxílio de policiais militares, visando punir vigorosamente aqueles que vendem ilegalmente. Além disso, a Mídia deve criar campanhas publicitárias de combate à automedicação, explicitando todos seus riscos e estimulando a população a seguir corretamente os tratamentos propostos pelos médicos, para que assim seja possível suavizar os efeitos nocivos dessa prática e possibilitar evoluções na medicina do país.