Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 13/08/2020
“A diferença entre um remédio e um veneno está só na dosagem." Essa frase de Paracelso, médico e físico suíço do século XVI, descreve, de forma bastante direta, a tênue linha que separa as duas faces que um remédio pode apresentar. É indiscutível, que hodiernamente a sociedade está cada vez mais sobrecarregada e muitas vezes seu bem estar – físico, mental e social – está afetado. Com isso, tendem a achar saídas em medicações e muitas vezes sem prescrição médica. Inegavelmente, a automedicação não é algo recomendado, porém, a influência midiática e a legislação fragilizada pela falta de fiscalização prejudicam o distanciamento desses métodos.
Em primeiro plano, vale ressaltar que a automedicação está cada vez mais presente na sociedade e essa prática pode desenvolver ainda mais fatores que prejudicam a saúde do indivíduo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 50% de todos os medicamentos são incorretamente prescritos, dispensados e vendidos, e metade dos pacientes os utiliza de maneira inadequada. Outrossim, marcas de medicamentos que produzem seus comercias, tendem a passar somente uma perspectiva do que o medicamento propõe, escondendo todos os riscos que pode trazer para o organismo do consumidor. Em virtude disso, muitas pessoas são afetadas por acreditar que terá apenas resultados positivos, sem a preocupação de uma conclusão médica.
Não obstante aos fatos supracitados, conforme o Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ), em uma pesquisa feita, 48% dos balconistas de farmácia prescrevem medicamentos para a população. Nessa perspectiva, nota-se o quão precária é a fiscalização no ambiente farmacêutico, desconsiderar essa vista pode causar inúmeros problemas para os clientes – reações alérgicas, dependência e até a morte –. De tal forma, a farmácia atualmente é uma porta de acesso primário à saúde em nosso país. Em virtude da facilidade do alcanço, os necessitados tendem a primeiramente ir ao encontro de um farmacêutico, desconsiderando a ida ao especialista.
Para o combate à automedicação citada inicialmente, seria significativo se a mídia – em propagandas ou em redes sociais – executasse avisos com mais prudência dos males da medicação sem prescrição médica, a fim de conter danos nas vidas de muitos cidadãos. Ao mesmo tempo que isso, cabe ao Ministério da Saúde – setor governamental responsável pela administração e manutenção da Saúde pública do país – controlar a fiscalização com mais precaução os centros farmacêuticos, recorrendo a uma atenção na saúde de toda sociedade. Levando-se em consideração esses aspectos, poder-se-ia ter uma sociedade com uma saúde estável e cuidadosa.