Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 13/08/2020

Na obra “História Geral da Medicina Brasileira”, Santos Filho descreve práticas médicas indígenas no Brasil do século XVI. À época, a população compreendia as doenças e enfermidades como um castigo religioso, e por conta disso, utilizavam métodos indutivos e xamânicos para de automedicarem. Sob essa perspectiva, a automedicação é, há muito tempo, uma prática comum no país e vem atingindo maiores proporções. Assim, pode-se elencar como principais causas da problemática em questão a falsa sensação de sabedoria bem como a grande influência da mídia.

Fundamentando-se no “Imperativo Categórico”, proposto por Immanuel Kant, filósofo prussiano, é relevante que toda e qualquer ação colocada em prática tenha como natureza uma preocupação moral e social intrínseca por parte de quem exerça. Desse modo, a falsa sensação de sabedoria é um dos principais fatores que levam à automedicação, evento muito comum e, muitas vezes, subestimado. Esse sentimento faz com que o indivíduo se sinta no controle e, por isso, existe uma noção de liberdade. Consequentemente, o abuso ou a prática inadequada da automedicação traz sérios efeitos à saúde, os quais podem levar à morte por overdose.

Em segundo plano, conforme o levantamento feito pelo ICTQ (Instituto de Ciência Tecnologia e Qualidade), 42% do lucro das principais corporações farmacêuticas do Brasil são provenientes de medicamentos vendidos sem receita médica. Para que isso aconteça, a mídia exerce grande influência sobre os consumidores, os quais passam a comprar e, consequentemente, se automedicar. Assim, medicamentos são comercializados e utilizados, muitas vezes, sem necessidade, acarretando em maiores problemas, quando comparados à razão da automedicação. Além disso, a maneira como os medicamentos estão dispostos nas farmácias influencia o consumo dos mesmos.

A partir dos argumentos elencados, infere-se que o Ministério da Saúde deve desenvolver campanhas de conscientização por meio de propagandas e anúncios, para que as consequências e efeitos da automedicação sejam conhecidos. Além disso, o poder midiático precisa mudar o modo como as informações são veiculadas, acabando com o caráter publicitário para que a sociedade entenda a gravidade da automedicação. Assim, destaca-se a importância do conhecimento para a construção de uma sociedade próspera.