Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 13/08/2020
“A diferença entre um remédio e um veneno está só na dosagem”. Essa frase de Paracelso, médico e físico suíço do século XVI, descreve, de forma bastante direta, a tênue linha que separa as duas faces que um remédio pode apresentar. Eventualmente, na sociedade atual, a cultura do automedicamento é bastante presente de forma negativa. Com isso, a influência das empresas farmacêuticas, bem como a falsa sensação de sabedoria corroboram para a manutenção dessa falha social.
Em primeiro plano, vale destacar que, segundo o sociólogo Foucault, as relações de poder são exercidas a partir de seus mecanismos ideológicos e atuam como uma força que coage, disciplina e controla as pessoas. De forma análoga a esse pensamento, o levantamento feito pelo ICTQ (Instituto de Ciência Tecnologia e Qualidade), 42% do lucro das principais corporações farmacêuticas do Brasil são provenientes de medicamentos vendidos sem receita médica e também 45% dos balconistas de farmácia prescrevem medicamentos para a população. Nisso, observa-se a falta de competência das indústrias e sua alta força de manipulação na população, assim, aumentando o poder da automedicação.
Paralelamente a essa dimensão empresarial, a enganosa sensação de sabedoria é outro fator de importância para a cultura da automedicação. “O maior inimigo do conhecimento não é a ignorância, mas sim a ilusão de ter conhecimento”. Na citação proferida por Stephen Hawking, físico britânico, é exposto o perigo da falsa sensação do saber na vida de uma pessoa. Nesse sentido, a ilusória percepção da sociedade que acredita ter um bom autoconhecimento do seu corpo ao ponto de se automedicar acaba prejudicando, visto que 10% das internações hospitalares são causadas por intoxicações pelo uso de medicamentos sem prescrição médica de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Torna-se evidente, portanto, a necessidade de repensar às medidas para evitar a automedicação no século XXI. Assim, cabe ao Conselho Regional da Farmácia de cada estado aumentar a fiscalização nas drogarias por meio de pesquisas, visitações e leis, a fim de garantir que as farmácias não vendam remédios sem prescrição médica e não falsifiquem prescrições. Outrossim, compete as ONGs e aos hospitais e consultórios médicos promoverem campanhas objetivando mostrar para as pessoas a importância de uma prescrição médica, pois remédios não deixam de ser drogas e podem causar grandes problemas futuramente. Como resultado, além de ajudar a saúde e reduzir vícios sociais, será possível construir uma sociedade mais preocupada e bem intencionada com o bem coletivo.