Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 13/08/2020

No livro denominado “História geral da Medicina Brasileira”, Santos Filho descreve as práticas médicas dos indígenas no século XVI, que utilizavam métodos indutivos e “xamânicos” para se automedicarem. De forma análoga, nota-se no atual cenário brasileiro a árdua questão no que diz respeito à automedicação sem prescrição médica. Com isso, entende-se que a demora no atendimento nas instituições básicas de saúde, bem como a falsa sensação de sabedoria em torno desse quadro contribuem com a perpetuação de tal situação.

Em primeiro plano, vale-se destacar a inegável questão constitucional e sua aplicabilidade, que se mostram corrompidas. Conforme atestado na Constituição Federal de 1988, em seu artigo 6º, o Estado deve assegurar o acesso à saúde para todos. Desse modo, pode ser compreendido que o Governo vem rompendo com suas responsabilidades, haja vista que, segundo a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), com base nos dados do SUS referentes a 2019, o tempo médio de espera para que um paciente seja atendido na rede pública é de um ano e quatro meses. Tal comportamento demonstra uma abertura para que a população se automedique, o que pode levar ao agravamento do caso clínico do paciente, além de reações alérgicas, dependências e até a morte. Logo, evidencia-se a relevância da atuação governamental como medida de combate à problemática.

“O maior inimigo do conhecimento não é a ignorância, mas sim a ilusão de ter conhecimento”. Tal frase, proferida pelo físico britânico Stephen Hawking, mostra o perigo da automedicação, tendo em vista que muitas pessoas acreditam que entendem do assunto tendo feito apenas uma breve pesquisa no “Dr. Google”. De acordo com os dados do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sintox), os remédios são responsáveis por 28% de todas as notificações por intoxicação, demonstrando assim, o risco da tal “falsa impressão de saber”.  Isso posto, verifica-se que a manutenção desse tipo de pensamento corrobora para o agravamento da situação.

Portanto, são inevitáveis ações proativas no embate à automedicação no Brasil, sendo imprescindível que o Município, órgão responsável pela organização e execução dos serviços destinados à saúde, desburocratize e agilize o atendimento do SUS, objetivando diminuir o tempo de espera e como consequência a busca pela automedicação. Ademais, cabe aos veículos midiáticos, por meio de campanhas educativas, informar a população dos perigos da ingestão de medicamentos sem o acompanhamento médico. Dessa maneira, será possível abolir gradativamente a conflituosa problemática do território brasileiro.