Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 13/08/2020

Define-se como automedicação o ato de ingerir remédios sem consultar um especialista para garantir qual a melhor forma de tratar os sintomas apresentados. É uma ação praticada por mais de 70% da população brasileira, sendo que, entre os que afirmaram se automedicar, 90% são jovens. Essa prática ser tão comum e realizada em larga escala por pessoas entre 16 e 24 anos deve ser analisada pelo menos por dois fatores. O primeiro deles é a ampla apresentação de remédios para o público através de propagandas. O segundo fator é o fácil acesso à informação devido a internet.

Inicialmente, vale lembrar que as propagandas que apresentam remédios capazes de aliviar os mais diversos sintomas são vastamente divulgadas nos canais de televisão aberta. O espectador, muitas vezes já cansado de conviver com algum sintoma, enxerga naquele medicamento uma forma fácil e de prometida eficiência contra o mal que o aflige. Diante do exposto, as propagandas garantem eliminar sintomas e que, apenas se os mesmos persistirem, um médico deverá ser consultado.

Assim, faz-se mister, ainda, salientar a facilidade que a internet oferece para que se busque um tratamento, considerado adequado, em centenas de sites, às vezes não confiáveis. Ao simplesmente digitar os seus sintomas na barra de busca, o internauta pode encontrar diversos diagnósticos e tratamentos para o seu caso, geralmente equivocados já que cada pessoa deve ser analisada individualmente, levando em consideração diversos fatores. Diante de tal contexto, a internet generaliza sintomas e corrobora para o diagnóstico e o tratamento, ambos prematuros, das manifestações do corpo.

Infere-se, portanto, que a automedicação pode acarretar no indevido tratamento de sintomas, porém existem ações a serem tomadas para que esse cenário não seja uma realidade cada vez mais difundida entre os jovens. Cabe ao Ministério da Saúde promover a informação, através de campanhas nas redes sociais, que a automedicação deve ocorrer raramente e de forma moderada e incentivar a realização de exames de rotina, com a finalidade de garantir a integridade física de todos. Além da conscientização sobre a decorrência da automedicação, é de extrema importância que as emissoras de televisão diminuam o espaço que drogarias possuem para divulgar seus produtos, a fim de quebrar a ideia, que parte da população possui, de que alguns medicamentos são, de certa forma, milagrosos. A partir dessas ações, espera-se que os casos desenfreados de automedicação entre os jovens diminuam.