Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 13/08/2020

De acordo com a Lei 9.294/96, é liberada a propaganda de remédios categorizados pelo Ministério da Saúde como de melhora momentânea e de livre comércio, desde que sejam inseridos avisos quanto ao seu excesso. Porém, o que se observa no Brasil hodierno é diferente do que está previsto no código, pois a automedicação é algo muito recorrente no cotidiano e ao utilizar do próprio conhecimento para solucionar uma dor, o indivíduo pode gerar um problema maior. Nesse sentido, atenta-se como fatores que auxiliam para essa pratica a falsa sensação de sabedoria, que atrelado com a negligência comercial causam impactos na saúde de toda a população.

Em primeiro plano, segundo Stephen Hawking, físico britânico, “O maior inimigo conhecimento não é a ignorância, mas sim a ilusão de ter conhecimento”. Desse modo, a partir de tal afirmação, são perceptíveis os perigos expostos pela não aceitação das evidências cientificas, mas sim a aplicação das próprias convicções. Assim, torna-se evidente a falta de cuidados que as pessoas possuem com o próprio corpo, quando usufruem de um medicamento que fez efeito positivo no passado, sem um diagnóstico preciso do atual problema, podendo por vezes, de maneira equivocada, gerar diversos tipos de malefícios para a saúde, incluindo sintomas crônicos. Portanto, torna-se perceptível o papel do cidadão para promover uma melhora no que tange a medicina e automedicação.

Outrossim, conforme o levantamento feito pelo (ICTQ) Instituto de Ciência Tecnologia e Qualidade, 42% do lucro das principais corporações farmacêuticas do Brasil são provenientes de medicamentos vendidos sem receita médica. Nesse viés, revela-se que as empresas e estabelecimentos visão apenas o seu bem, sem a preocupação para com o próximo. Com isso, a negligência comercial facilita a venda de produtos que requisitam no mínimo um diagnostico prévio feito por especialista, e como consequência ajuda também o aumento de casos de intoxicação, já que sem necessitar de receita o individuo consegue adquirir o medicamento. Além disso, com a propagação de remédios prescritos e vendidos ilegalmente, o acesso a eles se torna simples, fazendo com que a disseminação da automedicação se transmita para outras pessoas. Nisso, atenta-se a questão da influência e dos impactos negativos da indústria na saúde.         Conclui-se que a automedicação no século XXI ainda é um empecilho para o sistema de saúde brasileiro e cabe a mídia, por meio da internet -principal meio de comunicação atual- criar campanhas e propagandas que forneça o conhecimento necessário do uso de medicamentos por conta própria, e direcionar esses indivíduos um especialista, a fim de diminuir os riscos causados a saúde da sociedade. Ao mesmo tempo, cabe ao Ministério da Saúde, com o auxilio do Poder Legislativo, criar e efetivar leis para que a venda ilegal de remédios seja cessada.