Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 13/08/2020
A automedicação é a prática de ingerir medicamentos sem o aconselhamento de um profissional da saúde. Esse ato pode ser extremamente perigoso e causar diversas consequências para a saúde de quem o faz, como o agravamento de doenças, reações alérgicas e até morte. Tal ação está relacionada tanto à desinformação da população somada à dificuldade de acesso aos serviços públicos de saúde, quanto à irresponsabilidade da mídia e de grandes personalidades ao promover o uso de medicamentos sem eficácia comprovada.
Primeiramente, é necessário ressaltar que grande parte da população brasileira é dependente do SUS (Sistema Único de Saúde) e apesar de ser um ótimo sistema, existem imensas filas de espera para consultas médicas, exames e outros procedimentos. Em virtude disso, muitas vezes quando os cidadãos sentem algo que precisa ser tratado naquele momento, como uma dor momentânea ou uma inflamação leve na garganta por exemplo, por não terem noção dos riscos, esses recorrem à automedicação, pois sentem que não vale a pena entrar em uma fila de meses, sendo que quando chegar sua vez, provavelmente já estarão curados.
Em segundo plano, é comum ver a mídia e pessoas de influência falando sobre medicamentos que muitas vezes não tem eficiência comprovada. Um exemplo recente disso foi quando diversos políticos, incluindo o presidente Jair Bolsonaro, falaram sobre uma possível eficácia da Cloroquina no tratamento do Covid-19. Apesar da grande repercussão, não existem comprovações sobre a eficiência do medicamento, porém a população, algumas vezes por ignorância, outras por desespero, acaba fazendo uso, sem pensar nos riscos que pode estar correndo.
A partir das discussões elencadas, pode-se concluir que é de responsabilidade do governo, promover uma conscientização da população sobre os riscos da automedicação, e procurar maneiras de diminuir as filas de espera, agilizando e viabilizando o acesso aos serviços públicos de saúde. Além disso, cabe à mídia e às figuras influentes, entenderem e exercerem sua influência com responsabilidade.