Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 13/08/2020
Em 2007, o Ministério da Saúde criou o Comitê Nacional para a Promoção do Uso Racional de Medicamentos (URM). Entretanto, atualmente, a automedicação no Brasil tem sido uma prática cada vez mais comum. Procedimento o qual, muitas vezes visto como uma solução para o alívio imediato de alguns sintomas, pode trazer consequências mais graves do que se imagina. Nesse contexto, destacam-se a cultura do imediatismo e a ineficiência do Estado brasileiro como causas de tal prática perigosa.
Primeiramente, de acordo com o Ministério da Saúde, 60 mil pessoas entre 2010 a 2015 foram hospitalizados pela automedicação no Brasil. Dessa forma, é importante ressaltar o uso abusivo de remédios como uma solução para o alívio imediato. Em muitos dos casos, a indicação vem de familiares ou amigos que já tiveram algum quadro parecido. No entanto, poucos sabem que isto pode causar problemas de saúde como acidentes vasculares cerebrais, reações alérgicas, e aumento das dificuldades para tratar doenças já existentes no corpo.
Além disso, é indiscutível que a falta de atendimento adequado é um dos principais motivos pelo qual pessoas se automedicam, tendo em vista que a problemática se sustenta em um sistema de saúde defasado. Rotineiramente, a mídia demonstra a precariedade nos hospitais públicos brasileiros, os quais contam com a demora no atendimento ou, até mesmo, com a falta de médicos para efetua-los. Diante desse cenário, pessoas evitam frequentar tais locais e optam por ingerir medicamentos por conta própria, o que pode trazer consequências negativas para quem a faz, como o vício em remédios, por exemplo.
Diante disso, faz-se necessário, elaborar formas de denunciar os perigos da automedicação. Para isso, o Ministério da Saúde, responsável por promover o bem-estar populacional, deve aprimorar o Sistema Único de Saúde (SUS), por meio da contratação de mais profissionais da saúde, a fim de atender todas as solicitações dos pacientes com o objetivo de diminuir a automedicação, com a orientação adequada do uso de determinados fármacos. Também, cabe a OMS em parceria com o Ministério da Saúde criar campanhas socioeducativas que visem orientar a população sobre quando e como se deve recorrer à automedicação, destacando os malefícios do uso irracional de remédios e os efeitos indesejados que podem gerar.