Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 13/08/2020

Um levantamento realizado pelo Conselho Federal da Farmácia (CFF) constatou que a automedicação é um hábito comum a 77% dos brasileiros que fizeram uso de medicamentos nos últimos seis meses. A partir do dado, evidencia-se que a população brasileira não considera um problema o uso de medicamentos sem antes buscar um profissional da saúde para analisar seus problemas e suas necessidades. Essa situação tem como causas a influência que as redes sociais tem no comportamento das pessoas atualmente, e também ao interesse das empresas farmacêuticas, que lucram com esse cenário.

A influência virtual é a principal causa da automedicação no território brasileiro. De acordo com um estudo realizado pelo jornal G1, aponta-se que 80% dos brasileiros buscam informações médicas nas redes sociais, ao invés de buscar um profissional de ajuda. Assim, evidencia-se que a internet é uma grande influência no ato de automedicação. Ao seguir orientações pessoais e sem embasamento científico, muitos brasileiros se identificam com as situações que encontram nas redes sociais, que podem ser publicadas por qualquer pessoa, profissional de saúde ou não. Após se identificarem com os sintomas, muitas pessoas preferem consumir os mesmos fármacos que os escritores dos relatos do que buscarem ajuda médica, o que pode trazer sérios problemas de saúde.

Também é causa desse cenário o interesse das grandes empresas farmacêuticas. De acordo com o Anuário Estatístico do Mercado Farmacêutico, em 2017, a indústria farmacêutica lucrou 69,5 milhões de reais com a venda de remédios. Com isso, é evidente que essa indústria é uma das maiores e mais essenciais do Brasil. Essas mesmas empresas não investem em campanhas que influenciem seus compradores a consultarem um especialista antes de se medicarem, porque assim seu lucro cairá drasticamente, visto que assim as pessoas só se medicarão quando houver necessidade. Então, o interesse por trás da automedicação é uma das grandes barreiras que impede a superação desse cenário, o que prejudica a saúde de milhões de brasileiros.

Levando em virtude os elementos mencionados anteriormente, a Mídia, com apoio do Governo, deve investir na criação e disseminação de campanhas conscientizadoras, com finalidade de que os brasileiros fiquem cientes dos riscos que correm e busquem um profissional da área de saúde antes de se medicarem. O Estado deve criar leis e restrições para que as empresas farmacêuticas tenham que deixar os usuários de seus fármacos cientes dos riscos que correm se automedicando, com intuito de que recorram a um médico antes de consumirem algum medicamento. Assim, ver-se-ia uma diminuição na automedicação entre os brasileiros.