Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 13/08/2020

Por meio de uma recente pesquisa realizada pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF), tornou-se visível que a automedicação é um hábito comum a 77% dos brasileiros que fizeram uso de medicamentos nos últimos seis meses. Quase metade (47%) se automedica pelo menos uma vez por mês, e um quarto (25%) o faz todo dia ou pelo menos uma vez por semana. Analogamente a esse pressuposto, a silenciosa crise na saúde brasileira ocasionada pela automedicação desenfreada dos pacientes, seja pela precariedade do sistema público de saúde, seja pelo fácil acesso à medicação, requerem assim medidas enérgicas.   De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 10% das internações são ocasionadas pela automedicação errônea. Ao relacionar essa informação com a realidade presenciada no Brasil, pode-se citar como um dos principais motivos a precariedade do sistema público de saúde. Com a alta demanda, a má qualificação profissional e a má infraestrutura do Sistema Único de Saúde fomenta-se uma crescente incidência por fármacos sem prescrição médica, causando assim um verdadeiro estado de anomia no panorama do sistema de saúde brasileiro.

Concomitante a isso, a facilidade de acesso e a alta publicidade também se destacam como principais incentivos para o uso indiscriminado de fármacos sem prescrição médica e até para quadros de diagnósticos equivocados. Somando a isso a falta de rigor na fiscalização das farmácias e a falta de farmacêuticos em alguns estabelecimentos, em especial naqueles afastados dos grandes centros urbanos, é criada uma tendência cultural de abuso. Percebe-se também a falta de controle para remédios que não se tem fácil acesso em outros países. É o caso do paracetamol, da dipirona e de corticoides, controlados em outros países no espaço global.

Portanto, diante dos fatos supramencionados, é visível que essa é uma situação que não podemos mais sustentar. Tendo em vista que a automedicação desenfreada é o reflexo da frágil estrutura de saúde no Brasil, cabe ao poder público, na figura do Ministério da Saúde direcionar mais verbas para o Sistema Único de Saúde, a fim de melhorar a infraestrutura dos postos de saúde, visto que os cidadãos dependem dessa assistência. Por sua vez, o Conselho Federal de Farmácia deve revisar a permissão de fácil acesso para remédios muito utilizados pela população, vendendo assim apenas a dose necessária para o paciente, evitando assim o uso contínuo da medicação sem orientação médica. Feito isso, a diminuição das porcentagens de automedicação no Brasil estará garantida.