Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 20/08/2020

A Segunda Guerra Mundial promoveu grandes avanços no ramo da medicina, dentre eles, o desenvolvimento de fármacos e, por corolário, a automedicação elevada, hábito presente na hodiernidade. Nesse sentido, convém analisar dois fatores que propiciam tal ocorrência: a dificuldade de acesso aos serviços  de saúde, bem como a negligência da maior parte da população, que utiliza a mídia em detrimento da  procura  de especialistas.

Em primeira análise, conforme pesquisa realizada pela Agência Brasil, 70% dos brasileiros não têm plano de saúde, sendo que somente 44% dos tais utilizam o SUS. Frente a isso, fica clara a anomia governamental - termo caracterizado pelo sociólogo Émile Durkheim como a ausência ou desintegração das normas sociais - em instigar a população à procura de profissionais para o tratamento de  suas enfermidades. Dessa forma, em razão da falta de instrução dos cidadãos, o senso comum, que promove a utilização de medicamentos indevidamente, acaba por ludibriar os sujeitos. Assim, quando estes não veem o efeito  imediato do fármaco, aumentam a dose, ocasionando sua dependência, o que coloca em xeque o viés de conhecimento acerca do uso coerente de remédios, isto é, com prescrição médica,  além da aquisição da saúde, cláusula pautada no artigo 196 da Constituição Federal.

Outrossim, como principal impacto da globalização, a maior parte das pessoas acaba por negligenciar as consultas médicas, seja pela falta de tempo ou pela “experiência” com determinados medicamentos. Nesse âmbito, baseados no viés de que os fármacos não causam riscos à saúde, quando efeitos colaterais são manifestados, os habituados em consumi-los, não identificam suas consequências,  corroborando a persistência do consumo involuntário e a precariedade da saúde dos sujeitos. Ademais, a viabilização que a mídia proporciona, com seu aglomerado de informações, acarreta a incúria em relação aos profissionais médicos e, desse modo, a tomada de conclusões precipitadas pelos sujeitos, que ficam alheios a real causa de suas doenças.

Urge, portanto, que medidas sejam implementadas para a resolução da problemática. Compete ao Ministério da Saúde elaborar um projeto de simpósios, entregue à Câmara dos Deputados. Tal ação será vigorada por meios midiáticos como internet e televisão, e redigida por profissionais na referida área, a exemplo de médicos e enfermeiros, a fim de instigar os indivíduos à consulta majoritária aos postos de saúde e hospitais, bem como a fundamentação em especialistas para o consumo coerente dos fármacos.  Cabe, também, ao referido órgão,  a construção de postos de saúde e hospitais, por meio de subsídios do governo, destinados intrinsecamente às cidades mais deficitárias, a fim de promover o acesso da saúde a todos os cidadãos brasileiros.