Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 29/08/2020

Na obra “A Cidade do Sol”, do escritor italiano Tommaso Campanella, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e de problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a automedicação no século XXI apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de Campanella. Diante disso, cabe pontuar tanto a deficiência do sistema público de saúde quanto os malefícios dos remédios como fatores desse contexto, a fim de revertê-los.

Nessa perspectiva, é válido pontuar que a precariedade do Sistema Único de Saúde auxilia para o aumento da problemática. À vista disso, segundo o filósofo Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, ou seja, conforto, segurança e saúde. Entretanto, no país tal fato não é verificado devido à baixa ação das autoridades, no que tange à melhoria dessa unidade pública. Nesse sentido, por conta da falta de apoio estatal, a medicação por contra própria, torna-se necessária para o indivíduo.

Outrossim, é imperativo ressaltar que a prescrição própria pode trazer consequências nocivas para o organismo humano. À luz dessa ideia, de acordo com o médico Paracelso, a única diferença entre o remédio e o veneno é a dose. Não há como negar, portanto, que a autoreceita desorientada e contínua gera acúmulo de substâncias químicas nos rins, deixando o órgão debilitado. Dessa maneira, com o passar do tempo, a pessoa pode desenvolver complicações graves e ir a óbito.

Urgem, pois, intervenções pontuais para sanar esse óbice. Logo, cabe ao governo, entidade máxima do poder, desenvolver projetos de melhoria e construção de postos públicos de saúde. Tais ações devem ser executadas por meio do Ministério da Saúde com incrementos fiscais que impulsionará a conclusão do plano feral, com a finalidade de proporcionar melhor acesso a saúde e ao atendimento médico para a população. Com tais medidas espera-se que a utopia do literato seja assimilada.