Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 24/08/2020
“Ao persistirem os sintomas, um médico deverá ser consultado”. A famosa frase presente em propagandas de medicamentos é uma orientação divulgada pelo Ministério da Saúde, porém, tal recomendação é perigosa, tendo em vista o aumento da cultura de automedicação na sociedade brasileira. Isso acontece em consequência das altas exigências sociais, além da facilidade de se autodiagnosticar com pesquisas rápidas. Nesse contexto, se deve analisar como o cotidiano e o surgimento da internet influenciam na problemática em questão.
Primeiramente, destaca-se o fato de o âmbito social atual pressionar socialmente os indivíduos a buscarem a perfeição; isso advém da concorrência existente, principalmente entre os jovens, de que devem alcançar cada vez notas mais altas e empregos melhores. A pressão é tanta que desencadeia em muitos adolescentes o uso de psicoestimulantes para darem conta dos estudos. Tal comportamento é exibido no documentário “Take your pills” da Netflix, que conta de que modo medicamentos, como o Adderall, são usados, por indivíduos sem nenhum déficit de atenção, para estimular o cérebro a fazer mais e conseguirem resultados sempre positivos. O uso indevido de medicamentos tarjados sem prescrição médica pode resultar em uma série de vícios e problemas futuros, portanto, é possível perceber como a pressão cotidiana pode incitar a automedicação e contribuir para problemas piores no país.
Além disso, é inegável que a disseminação da internet facilita a prática de se autodiagnosticar por meio do “Doutor Google”, bem como saber qual remédio tomar. Segundo pesquisa divulgada pelo Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ) em 2018, 40% dos brasileiros fazem autodiagnóstico pela internet; e tendo em vista que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) permite a venda de vários medicamentos sem prescrição médica, é simples para a população adquirir um medicamento e fazer o uso de maneira inadequada, o que pode provocar efeitos colaterais e reações alérgicas graves. Por consequência, essa ação prejudica diretamente o bem-estar da sociedade.
Sendo assim, é imprescindível a criação de projetos estatais que contribuam para a amenização dessa problemática. Ao Ministério da Saúde, como setor governamental responsável por administrar a saúde pública no país, cabe por meio das mídias televisivas em horário nobre e das mídias sociais, propagar conteúdos educativos e alertantes sobre os perigos de se automedicar, a fim de motivar a população a repudiar a administração de medicamentos sem as devidas indicações.