Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 27/08/2020
A automedicação pode ser definida como o consumo de medicamentos sem a orientação médica adequada. Essa prática, recorrente na sociedade brasileira atual, está intrinsecamente ligada ao sucateamento do sistema de saúde e à desinformação da população acerca do seu perigo, podendo acarretar consequências prejudiciais ao consumidor autônomo de remédios. Dessa forma, é crucial que as autoridades ajam, com o objetivo de combater esse costume.
Em analogia ao filósofo Voltaire a respeito de sua análise sobre o comportamento da sociedade, torna-se atemporal o modo como ela perpetua atitudes nocivas aos seus integrantes. Isso pode ser comprovado pela disseminação do hábito do autodiagnóstico a partir de buscas na internet, o que, associado à indicação de remédios por pessoas leigas, pode levar à automedicação. Ademais, a demora para atendimento, a defasagem de insumos médicos e o número reduzido de profissionais da saúde também podem contribuir para a utilização de medicamentos sem supervisão.
Por conseguinte, a difusão dessa atividade entre a população traz problemas à saúde dos indivíduos, como, por exemplo, o mascaramento de condições e doenças pré-existentes. Outra consequência, ocasionada por esse uso incorreto, é a possibilidade do desenvolvimento da dependência química, principalmente de analgésicos e calmantes, e do surgimento de novas doenças, por exemplo, a intoxicação do fígado pela ingestão excessiva de paracetamol, desconhecida pela maioria dos brasileiros.
Em virtude dos argumentos supracitados, é imprescindível que as autoridades tomem providências. Visando combater o consumo inapropriado de medicação, o Ministério da Saúde deve melhorar o seu sistema com a aquisição e distribuição dos materiais médicos necessários, a contratação de profissionais da área e a melhoria no atendimento e na infraestrutura de hospitais e postos. Adicionalmente, deve, em conjunto com o Conselho Federal de Medicina, CFM, realizar campanhas informativas, por meio das mídias televisas e sociais, com a participação de personalidades influenciadoras e o uso da linguagem compreensível ao público, acerca do perigo da automedicação.