Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 29/08/2020
Em oposição ao posicionamento positivista de Durkheim, Weber defende que os fenômenos sociais são dinâmicos e mutáveis, ou seja, para o pensador há necessidade de interpretá-los. Nessa lógica, pode-se afirmar que a automedicação no século XXI merece um debate mais amplo. Diante disso, cabe analisar tanto a possibilidade de efeitos colaterais quanto a publicidade excessiva de medicamentos como fatores desse cenário, a fim de revertê-los.
Nessa perspectiva, convém ressaltar a chance de resultados negativos decorrentes do consumo indiscriminado de fármacos, como a intoxicação e o agravamento do quadro. Nesse contexto, segundo o médico Paracelso, a única diferença entre o remédio e o veneno é a dose. Dessa modo, a ingestão de remédios sem a devida prescrição médica pode, além de complicar o estado de saúde do indivíduo, dificultar o diagnóstico e o tratamento.
Outrossim, vale salientar a vulgarização do uso de medicamentos disseminada por campanhas publicitárias sem rigor. À luz dessa ideia, durante a Segunda Guerra Mundial, Joseph Goebbels, ministro da propaganda nazista, foi o grande responsável pela manipulação das massas de encontro à ideologia antissemita. Não há como negar, portanto, que a mídia possui forte poder de influência em seus telespectadores e pode influenciar negativamente na banalização da automedicação.
Urgem, pois, intervenções pontuais para sanar essa problemática. Logo, o governo, entidade máxima do poder, deve reformular leis acerca das ações publicitárias dos meios de comunicação, no que tange à temática da prescrição própria de drogas. Tal medida pode ser realizada mediante o Ministério da Saúde, a partir da restrição de anúncios de remédios, com a finalidade de reverter a cultura da medicação inoportuna. Com tais medidas, espera-se que o pensamento weberiano seja assimilado.