Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 31/08/2020
Em 2009, o cantor americano Michael Jackson faleceu, vítima de uma overdose causada pelos fármacos em que era viciado. Esse caso é resultado do desejo de Michael por tais remédios, sentimento que não foi controlado pelo seu médico, deixando assim que o artista viesse a óbito. Nessa perspectiva, o uso de medicamentos por conta própria é um grave problema que afeta diversas populações pelo mundo e na esfera nacional é ocasionada por fatores relacionados a situação da saúde brasileira e ao imediatismo presente na sociedade atual. Ademais como efeito da ação referida têm-se danos aos indivíduos que se automedicam e prejuízos ao coletivo de certa forma. Sendo assim, medidas urgentes devem ser tomadas para mudar o cenário exposto.
Primeiramente, é necessário apresentar os motivos para recorrer à automedicação. Dentre os principais, encontra-se o sucateamento do serviço de saúde público, o qual oferece um atendimento, muitas vezes, de pouca qualidade acompanhado de uma grande demora, sendo que, geralmente, esse é um tempo do qual as pessoas de baixa renda não dispõem. Além disso, na sociedade atual, observa-se um imediatismo para solucionar quaisquer problemas que o organismo possa manifestar, essa tendência visa aumentar o rendimento do indivíduo — como exposto na filosofia contemporânea do sul-coreano Byung-Chul Han, em sua “sociedade do desempenho”, na qual as pessoas se cobram excessivamente para serem as melhores — e para isso usam a automedicação visando “curar-se”. Esses fatores são agravados pela facilidade de se conseguir remédios, devido à falta de fiscalização.
Em segundo lugar, deve-se apontar as consequências do consumo de medicamentos por conta própria. Em relação ao usuário do remédio, pode-se ter o mascaramento dos sintomas de doenças mais graves, a intoxicação — que pode levar a morte — e ainda a dependência química das substâncias. Ademais, no âmbito coletivo, é importante destacar que, no caso do uso desregulado de antibióticos, pode haver a seleção de bactérias mais resistentes, de acordo com a teoria de Charles Darwin, e, assim, o indivíduo acaba contribuindo para a formação de superbactérias (bactérias que conseguem resistir a uma grande quantidade de antibióticos), gerando riscos para toda a população.
Evidencia-se, portanto, que a automedicação é um grande problema que origina consequência sérias, sendo necessário, assim, resolvê-lo urgentemente. Para que isso ocorra, cabe ao Minisério da Saúde, em conjunto com a mídia, informar e alertar a população dos riscos da ação referida, por intermédio de propagandas, nas quais especialistas expliquem a situação e o perigo de se automedicar, com o auxílio de dados e exemplos. E ainda, é de responsabilidade do Estado melhorar o sistema se saúde público e aumentar a fiscalização nas farmácias. Dessa forma, o Brasil conseguirá contornar essa grave questão.