Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 31/08/2020
O seriado norte-americano “Dr.House” retrata a rotina do médico protagonista que ingere analgésicos de forma exagerada e percebe também o mau uso de medicamentos nos seus pacientes. De forma análoga, no século vigente a prática da automedicação é comum aos brasileiros. Tal fato configura-se problemático,já que as publicidades farmacêuticas e a pequena referência de especialistas sobre o assunto colaboram com sua manutenção.
Em primeiro plano, as propagandas televisivas e virtuais impulsionam o uso de medicamentos por conta própria. Nesse sentido, a Escola de Frankfurt, fundada na Alemanha, se refere à “Indústria Cultural” como o mecanismo moderno de transformar em mercadoria de massa aquilo que não é, como ocorre com as medicações que precisam de ajuste individual e responsável, mas são amplamente divulgadas. Sob essa óptica, o curto período do anúncio desse produto que adverte “Se persistirem os sintomas, o médico deverá ser consultado” não é suficiente para o diferenciar dos demais ordinários.
Ademais, a representatividade baixa que a oposição ao uso de fármacos por administração pessoal possui contribui para a pouca discurssão pública sobre o assunto. Consoante a isso, o pensador britânico Nick Couldry elucida que no contexto hodierno pautas e pessoas que não se expressam em ambientes de exposição, como na televisão ou nas redes sociais, são reduzidas a inexistência. Por conseguinte, se não há contraposição contundente de médicos e farmacêuticos, autoridades na saúde, à automedicação esse hábito tende a se popularizar e ter sua gravidade menosprezada pela comunidade.
Depreende-se, portanto, a necessidade de mitigar o uso medicamentoso exacerbado sem prescrição ou orientação médica/farmacêutica. Para isso, cabe à Anvisa, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, exigir mais rigor sobre os anúncios de remédios, por meio de ementas no regulamento propagandista que preposicionem as advertências ao consumidor e as deixe com maior evidência, a fim de diferenciar esse produto dos demais banais. Além disso, é imperioso que os Conselhos de Medicina e Farmácia do Brasil alertem a população sobre o perigo de consumir fármacos autoprescritos, por intermédio de publicidades, debates e publicações sobre o assunto em páginas virtuais.Assim,pressupoe-se comportamentos sociais diferentes dos de “Dr.House”.