Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 01/09/2020
Na obra literária “Fahrenheit 451”, do autor Ray Bradbury, a esposa do protagonista, Montag, sofre uma intoxicação devido à ingestão de um frasco com medicamentos. Apesar do livro ter sido publicado em meados do século XX, o problema da automedicação continua em debate no Brasil, uma vez que, em razão do excesso de atividades sobre o cidadão na sociedade capitalista, há aumento no uso indevido de fármacos, o que prejudica a saúde dos brasileiros.
Em primeiro lugar, põe-se em discussão o excesso de trabalho na contemporaneidade. Como classifica o filosofo sul coreano Byung Chul Han, a sociedade atual foca somente nas longas jornadas e na produtividade, subjugando os cuidados pessoais. Nessa situação, o corpo é uma ferramenta de trabalho que é vista como estorvo, uma vez que tende a se esgotar fisicamente e mentalmente. Por conseguinte, os medicamentos se tornam a primeira opção para superar esses empecilhos. Desse modo, com o aumento da procura de fármacos para saciar essas dificuldades, a automedicação transfigura-se em um grande agravo para a sociedade brasileira.
Acrescido a essa situação, nota-se o crescimento no número de casos relacionados à problemas de saúde. Segundo a FioCruz, só na última década internações por intoxicação de remédios elevou em 20%. Nesse contexto, tratamentos realizados por conta própria tornam-se perigosos ao bem estar do cidadão, dado que nessas circunstâncias podem haver sequelas e até óbitos. Diante disso, a condição da sociedade no Brasil não se difere dos problemas descritos naquele livro, em relação aos distúrbios causados pela prática de se automedicar.
Portanto, é preciso amenizar a situação. Para isso, o Ministério da Saúde, acompanhado por veículos de comunicação, deve realizar campanhas por meio de propagandas, palestras e depoimentos de pessoas que sofrem com sequelas causadas pela automedicação, afim de conscientizar os brasileiros sobre o uso incorreto de paliativos. Ainda nesse projeto, é necessário o incentivo à práticas saudáveis, instruções de alimentação, estímulos à atividades físicas e aconselhar a buscar profissionais da saúde quando for preciso. Assim, o problema da automedicação pode ser superado, e vivenciado apenas na ficção.