Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 03/09/2020
A série norte-americana “Dr. House” apresenta uma forte crítica ao problema da automedicação. Ao longo da trama, o personagem do seriado Dr. Gregory House, viciado em medicamentos que diminuem sua dor muscular, enfrenta obstáculos para o prognóstico de doenças em seus pacientes, devido ao uso inadequado de remédios por estes. Não distante da obra, nos dias atuais, percebe-se o crescimento do consumo de substâncias químicas em território tupiniquim. Nesse sentido, avaliam-se a engrenagem capitalista e a negligência dos profissionais de saúde, como pilares da problemática.
É importante analisar, de início, a influência do capitalismo sob a perspectiva filosófica de Karl Marx. Segundo o “Materialismo Dialético”, defendido pelo autor, a economia está na base das multifacetas de uma sociedade. Partindo desse pressuposto, é notório que a conjuntura hodierna vai ao encontro do pensamento marxiano, uma vez que as indústrias estimulam, diariamente, o consumo de remédios. Essa situação, torna-se visível nas constantes propagandas de TV , as quais divulgam os “produtos” sem nenhum conteúdo que oriente a população a respeito dos malefícios do uso desenfreado desses fármacos. Tal mecanismo comercial, constitui um forte influenciador da cultura de medicalização existente no país.
Acrescenta-se a essa temática, a teoria do “Habitus” do sociólogo Pierre Bourdieu, a qual permite avaliar de que forma a negligência dos profissionais de saúde contribui para o agravamento do quadro. De acordo com o pensador, a sociedade naturaliza e reproduz comportamentos e ideias quando exposta, cotidianamente, a esses “padrões”. Sob essa ótica, a postura dos médicos e farmacêuticos diverge do postulado sociológico, haja vista a pouca disponibilização de informações sobre os medicamentos receitados e vendidos fortalecer a automedicação . Com isso, diante da desinformação e vendagem livre, o indivíduo tende a naturalizar a ideia de que tais substâncias não provocam nenhuma disfunção.
Está exposto, portanto, a configuração negativa da automedicação no panorama brasileiro. Então, é imperioso que o Ministério da Saúde em parceria com a mídia veicule conteúdos educativos a respeito das consequências e perigos da administração incorreta de remédios, com o objetivo de educar a comunidade sobre a questão. Ainda é funcional, dentro dessa medida, que o órgão citadino em conjunto com os Governos municipais desenvolvam um projeto de conscientização social, o qual deve contar com palestras semanais nos postos de saúde de cada município, como também nas escolas. Tal ação, pode ser realizada mediante aulas interativas, adaptadas à faixa etária, com o fito de diminuir a prática no país. Posto isso, a fragilidade da saúde não será uma realidade no Brasil.