Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 06/09/2020
Na obra “A Cidade do Sol”, do filósofo e escritor Tommaso Campanella, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na contemporaneidade é o oposto do que o autor prega, visto que a automedicação no Brasil apresenta barreiras para a concretização dos planos de Tommaso. Diante disse, cabe avaliar tanto o uso incorreto do medicamento quanto a falta de campanhas educacionais sobre o consumo consciente e prescritivo como fatores desse contexto, a fim de revertê-los.
Em primeiro plano, é válido ressaltar que o consumo compulsivo e exagerado do remédio pode interferir no tratamento. Sob essa ótica, de acordo com o médico e físico Paracelso, “A diferença entre o remédio eo veneno é dose”. À vista disso, a parcela da população que consome o fármaco tarjado sem prescrição e controle profissional são alvos de possíveis complicações que pode acarretar a morte. Nesse sentido, faz-se mister a reformulação desse quadro corriqueiro e prejudicial.
Ademais, mediante a escassez de informações sobre o uso correto do medicamento gera um quadro controverso e inconsistente na sociedade brasileira, uma vez que os princípios constitucionais são feridos. Desse modo, segundo o artigo 6º da Constituição Federal de 1988, garante a todos os indivíduos os direitos à saúde, educação e ao bem-estar social. Contudo, tais direitos não são observados na prática, posto que a falta de propagandas do Governo sobre o assunto é um dos fatores agravantes dessa situação.
Urgem, pois, intervenções pontuais para sanar esse impasse. Logo, cabe ao Ministério da Educação, em conjunto com o Ministério da Saúde, estabelecer centrais de atendimentos nos postos de saúde e rodas de conversas nas escolas públicas, tendo em vista a participação de profissionais que possam debater a temática a exemplo de médicos e nutricionistas, além da presença da família. Tais ações seriam organizadas e ministradas pela secretária municipal de saúde, de modo que seja possível solucionar todas as dúvidas referentes ao uso dos remédios. Somente assim, o princípio defendido por Campanella será alcançado.