Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 07/09/2020

O documentário ‘’Take Your Pills’’ demonstra o triste cenário de alguns estudantes americanos, que para obter resultados acima das médias utilizam remédios estimulantes de concentração mesmo não possuindo distúrbios de aprendizado, ignorando, assim, os efeitos adversos que podem ser ocasionados pelas drogas sem prescrição médica. Análogo a isso, a automedicação se mostra uma grande problemática também na sociedade brasileira, decorrente da falta de informação sobre os fármacos e ocasionando graves consequências individuais e coletivas.

Primeiramente, é válido analisar que a desinformação é a principal precursora para o ato de medicações sem aval profissional, isso porque não é de senso comum como a produção destes são realizados, assim como sua eficiência e seus efeitos colaterais. A seriedade da questão se encontra na não universalidade de um medicamento, haja vista que para a formação de um fármaco é utilizado o Método Científico - idealizado pelo filósofo e cientista ingles Francis Bacon - que consiste em um conjunto de regras a ser seguida, das quais a de maior ênfase deve ser a testagem dos resultados em diferentes contextos. Sendo assim, ao se medicar sem prescrição médica o indivíduo pode estar sujeito a situações de periculosidade, pois pode desconhecer as especificidades e riscos do remédio tal como demonstra o documentário ‘’Take Your Pills’’.

Ademais, a automedicação pode ocasionar uma pressão no Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo a Associação Brasileira de Indústria Farmacêutica cerca de 20 mil pessoas morrem todos os anos em decorrência dos maus usos de fármacos, a exemplo disso está a utilização da pílula anticoncepcional, grande aliada ao controle de natalidade, e quando utilizada sem prescrição médica e combinada com predisposição genética leva a casos de trombose e até AVCs. Vê-se, pois, que um ato, muitas vezes feito de forma inocente, pode proporcionar um inchaço do SUS e gerar perdas irreparáveis.

Portanto, diante dos perigos oferecidos pela ignorância acerca da automedicação faz-se necessária ações para mitigar a problemática. Para isso, cabe ao Ministério da Saúde a realização de campanhas informativas a partir dos veículos de informação de maior visibilidade (Internet, Rádio e TV) com o objetivo de conscientizar a população brasileira sobre os efeitos negativos da automedicação, e de como esse ato pode ser destrutivo ao corpo e prejudicial ao Sistema de Saúde como um todo a fim de gerar entendimento de autocuidado e responsabilidade sobre algo tão relevante quanto a saúde. Desta forma, será possível brasileiros que prezam pelo autocuidado e que fazem boa utilização do SUS.